UOL Notícias Internacional
 

25/04/2009

A questão palestina, grande esquecida na conferência de Durban II

Le Monde
Benjamin Barthe Enviado especial a Ramallah (Territórios Palestinos)
Os ativistas pró-palestinos se preparam para deixar a conferência das Nações Unidas sobre o racismo, que termina nesta sexta-feira (24) em Genebra (Suíça), constatando fracasso. Mantidos à distância pelos organizadores que temiam que essa reunião fosse taxada de "antissemita" - como foi a primeira conferência em Durban em 2001 -, pegos na armadilha do show do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que classificou Israel de "governo racista", levando a protestos internacionais, esses militantes não escondem seu desdém.

"Assistimos a uma conferência sobre o racismo sem vítimas e sem autores de atos racistas", diz de Genebra, em entrevista por telefone, Ingrid Jaradat, da organização Badil de defesa aos refugiados palestinos. As delegações se contentaram em debater grandes princípios gerais, enquanto o objetivo era esclarecer as conquistas de Durban. Sua única preocupação era terminar logo, para evitar que a conferência desmoronasse.

No entanto, a Autoridade Palestina havia facilitado o trabalho dos organizadores, aceitando calar suas críticas sobre a ocupação israelense. Seu embaixador em Genebra, Ibrahim Khreishé, facilitou a adoção do projeto de resolução final que não menciona nem Israel nem a Palestina, ao contrário da declaração de 2001.

Essa concessão não foi suficiente para tranquilizar os Estados Unidos, nem vários países europeus, como a Alemanha, a Itália e os Países Baixos, que boicotaram a conferência mesmo antes de sua abertura, dia 20 de abril. Uma decisão motivada especialmente pelo fato de que o texto de encerramento previa reafirmar as conclusões de Durban. "Às vezes nos perguntamos se os diplomatas ocidentais sequer leram a declaração de 2001", diz Ingrid Jaradat. "Pois esse texto, que é sempre ridicularizado, mencionava basicamente o direito à autodeterminação dos palestinos, ao mesmo tempo em que garantia o direito à segurança de Israel, lembrando o caráter inesquecível do Holocausto".

"Grande hipocrisia"

O discurso de Ahmadinejad, e sobretudo a comoção que ele provocou, junto com a retirada em fila indiana dos representantes europeus diante das câmeras, acentuaram ainda mais o abafamento da questão palestina. A maioria das ONGs antiocupação haviam sido excluídas, desde o início da conferência, do espaço reservado aos agentes da sociedade civil, deixando o terreno livre para os pró-israelenses, como o advogado americano Alan Dershowitz e a organização UN-Watch.

"Um grande momento de hipocrisia europeia", diz Omar Barghouti, um dos líderes do movimento de boicote a Israel. "Eu desaprovo as afirmações que Ahmadinejad fez no passado sobre o Holocausto ou a necessidade de enviar novamente os judeus à Europa. Mas somos obrigados a reconhecer que sua declaração em Genebra foi puramente factual. Até o departamento de Estado americano diz que Israel pratica, eu cito, 'uma discriminação institucional, legal e social' em relação a seus cidadãos árabes. Isso não é racismo?"

Único motivo de satisfação para os militantes palestinos: a conferência alternativa que eles organizaram em prelúdio à grande missa das Nações Unidas atraiu quase 300 participantes vindos dos cinco continentes. Contra o "regime do apartheid" israelense, os organizadores os convocam ao "BDS": Boicote, Desinvestimento e Sanções.

O Congresso dos Sindicatos Escoceses é o mais recente membro desse movimento que conta com as sociedades civis para compensar a covardia dos governos.

Tradução: Lana Lim

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