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29/04/2009

E... os 100 dias de Michelle Obama

Le Monde
Yolanda Monge
Em Washington
Correram rios de tinta sobre seus bíceps atléticos. Deve uma primeira-dama mostrar tanto ombro e tanto braço? É desnecessário dizer que houve respostas para todos os gostos e devemos informar que a primeira-dama continua exibindo braços torneados. Tentou-se fabricar uma crise diplomática quando a esposa do presidente pôs seu braço de forma afetuosa sobre a rainha da Inglaterra.

  • Leon Neal/EFE

    Michelle tenta passar a impressão de uma mulher com os pés no chão, conhecedora dos problemas que vive o cidadão médio dos EUA

O mesmo palácio de Buckingham suavizou o assunto e se negou a entrar na questão de quem abraçou quem primeiro. Definida como a "nova Jacqueline Kennedy", Michelle Obama não perdeu tempo em seus 100 primeiros dias na Casa Branca. É quase impossível que seu nome e rosto não apareçam toda semana em alguma revista nas bancas dos Estados Unidos.

Foi capa da "The New Yorker". A multimilionária e famosa estrela de televisão quebrou a tradição e dividiu a capa de sua revista com a mulher de seu amigo Obama. Mas o trabalho da primeira-dama não tem contrato, assim como cada esposa de presidente dos EUA que passou pelo posto fez o que quis ou pôde.

Se Hillary Clinton buscou em vão instaurar um sistema de saúde com cobertura universal no país e Nancy Reagan dedicou seus anos no poder junto com seu marido à luta contra as drogas, Michelle - como todo mundo gosta de chamá-la, sentindo assim que pode ser sua vizinha ou sua amiga - parece ter uma agenda própria, e não descuida de sua função de progenitora até quando visita as tropas que partem para o Iraque e Afeganistão, ou se ajoelha para plantar uma horta orgânica na mesmíssima Casa Branca e advoga uma dieta mais saudável. Sem se esquecer de passear com o cachorro Bo, conhecido mundialmente.

Ela mesma gosta de se apresentar não como uma celebridade que aparece na revista "Vogue"- ainda que tenha aparecido - , mas sim como uma mulher com os pés no chão, conhecedora dos problemas que vive o cidadão médio americano. Que são muitos. Antes de deixar seu lar em Chicago e se mudar para Washington, Michelle Obama ganhava um salário muito superior ao de seu marido. Marido que, aliás, a conheceu sendo seu estagiário. Michelle renunciou agora à mulher profissional e competente que costumava ser. Ou talvez não. Talvez, só ao salário.

Tradução: Lana Lim

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