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08/05/2009

Jennifer Chary, culpada de amar um sem-papéis

Le Monde
Elise Barthet
Jennifer Chary vai se declarar culpada, mas está "atordoada". Convocada para comparecer na segunda-feira, 11 de maio, diante do Tribunal Correcional de Dijon (leste da França) por "ajuda à permanência irregular", a jovem de 23 anos está sujeita a cinco anos de prisão e € 30 mil de multa. "Eu não sabia que poderia ser condenada por ter abrigado meu futuro marido", ela diz. Mohamed Naim, um marroquino de 24 anos sem documentos, foi expulso nove dias antes da cerimônia.

Ela o conheceu no início do verão de 2008. "Na época eu trabalhava como garçonete em uma boate em Dijon. Ele veio se encontrar com um amigo. Nos gostamos imediatamente", ela lembra. Dois meses depois o casal se instalou em um pequeno apartamento alugado pela jovem em Dijon. "Levávamos uma vida normal. Saíamos à noite, íamos tomar café. Mohamed e eu dividimos tudo: as compras, a manutenção de minha filha, os amigos", ela lembra.

No início de sua relação, Jennifer ignorava que seu companheiro não tivesse documentos. Certa noite, um pouco sem jeito, ele lhe explicou que estava em situação irregular. Mas, "estranhamente, foi uma cena que não me marcou", ela diz. "Mohamed sabia que eu estava apaixonada por ele. Para mim isso não mudou nada." O único inconveniente é que ele não podia trabalhar. "Nos arranjávamos com meu salário. Ele ganhava alguns trocados ajudando amigos."

"Nada a esconder"
Em fevereiro de 2009 o casal entrou com um pedido de casamento na prefeitura da cidade. "Havíamos conversado sobre isso, a coisa parecia andar naturalmente." Para a jovem, "nunca se tratou de um casamento 'em branco'".

Em 2 de março, Jennifer e Mohamed foram convocados para uma "entrevista prévia". Interrogados separadamente, tiveram de enfrentar as mesmas perguntas insistentes: "Desde quando vocês se frequentam? Conheciam suas respectivas famílias? Seus nomes? Sabem em que estão se envolvendo?" "Não tínhamos nada a esconder", explica Jennifer. "Estávamos confiantes". A data do casamento foi marcada para 11 de abril.

Mas foi sem contar com o zelo da prefeitura. Alguns dias depois o casal foi chamado à delegacia. "O funcionário da prefeitura deve tê-los avisado sobre a situação de Mohamed", pensou a jovem, que foi sozinha à entrevista. Seu companheiro "não pôde vir. Isso irritou os policiais", explica Jennifer, que só lembra da "insistência" dos policiais em "pedir provas de seu amor".

Liberada depois de quatro horas "com a convocação para o tribunal", ela encontrou seu companheiro. Dois dias depois, "os policiais o prenderam e mandaram para o centro de detenção de Lyon". Em 2 de abril o jovem foi expulso para o Marrocos.

Hoje Jennifer sabe que se encontra em uma situação "catastrófica", mas se recusa a desistir. Habituada "a sofrer", ela foi ao Marrocos no mês passado e pretende voltar para lá em junho. Enquanto isso, Mohamed "tira sua carteira de motorista de caminhão". Ele espera encontrar um emprego na França e "pensamos em nos casar no Marrocos", diz Jennifer.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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