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09/05/2009

Rio Amazonas enfrenta cheia histórica

Le Monde
Jean-Pierre Langellier No Rio de Janeiro
O Amazonas vive uma cheia histórica. O mais poderoso rio do mundo atingiu um nível de água único: 841 cm. A cheia recorde anterior (810 cm) datava de maio de 2006. Esse fenômeno é observado na cidade de Óbidos (Estado do Pará), a 800 km do oceano Atlântico. Esses levantamentos foram efetuados na mais importante estação hidrológica do planeta por pesquisadores franceses e brasileiros do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, sigla em francês) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em cooperação com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

A cheia poderá durar dois meses. No início de maio, os especialistas mediram a maior vazão fluvial jamais registrada no mundo: cerca de 280 mil m3/s, ou seja, cinco vezes maior que a do Congo, o segundo rio mais potente. A vazão média do Amazonas se aproxima dos 185 mil m3/s.

Variabilidade climática
Essa cheia é um fenômeno anual. Mas ela é, neste ano, ao mesmo tempo precoce e de uma amplitude excepcional, devido a um atraso temporal da estação das chuvas no conjunto da bacia amazônica. Normalmente, os grandes afluentes do Amazonas alternam suas cheias: o Madeira tem a sua no final de abril e o Negro no fim de junho. O Solimões, a parte do Amazonas que fica entre a fronteira Brasil-Colômbia-Peru e a cidade de Manaus, em maio. Neste ano, todas as cheias aconteceram ao mesmo tempo. A partir de janeiro, o Solimões começou a subir 5 m - em vez de algumas dezenas de centímetros - em 20 dias. O rio Marañon, que forma o Solimões a partir do Peru, vive uma cheia cuja intensidade só volta a cada 100 anos. "O que espanta é a dimensão regional do fenômeno", ressalta Naziano Filazola, coordenador, em Manaus, da Rede de Meteorologia e Hidrologia da Amazônia (Remethi). Ele resulta das chuvas abundantes que caíram em todo o norte da bacia amazônica a partir de dezembro de 2008.

A convergência de dois fatores explica essas precipitações. Por um lado, o efeito do La Niña modifica a temperatura das águas de superfície do Pacífico e favorece a pluviosidade. Por outro, as elevadas temperaturas de superfície oceânicas sobre o Atlântico tropical norte mantêm o vapor de água perto da linha do Equador. O norte da Amazônia recebe assim chuva em excesso, ao passo que as terras da bacia do Rio da Prata vivem uma seca excepcional.

A cheia do Amazonas torna a pesca menos frutífera. Os peixes, "diluídos" em um volume maior de água, permanecem no fundo do rio, sendo mais difíceis de se capturar.

Não é possível estabelecer uma ligação direta entre a mudança climática mundial e a cheia recorde do Amazonas. Mas uma coisa é certa, a variabilidade climática amplifica as situações extremas. "Os picos de cheia são cada vez mais fortes, e as estiagens cada vez mais fracas, sem que isso leve necessariamente a um aumento da vazão média anual do rio", constata Jean-Loup Guyot, representante do IRD no Brasil. A cheia de 2006 sucedeu, dessa forma, a grande seca de 2005.

Presente em seis países da América Latina, o IRD fornece suas informações a um Observatório de Pesquisa em Meio Ambiente (ORE, sigla em francês) criado em 2003. No Brasil, os estudos se baseiam especialmente no monitoramento das dinâmicas fluviais e na previsão das cheias e das secas. Graças aos dados dos radares altimétricos, os pesquisadores podem também monitorar em tempo quase real os volumes de água das zonas de inundações tropicais, um parâmetro necessário para a avaliação das emissões e do acúmulo de gases causadores do efeito estufa.

Tradução: Lana Lim

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