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14/05/2009

Uribe é acusado de "retardar" a libertação de um refém colombiano

Le Monde
Marie Delcas Em Bogotá
Para Gustavo Moncayo e sua esposa, a espera se tornou insuportável. Há onze anos e cinco meses que eles esperam pelo retorno de seu filho, Pablo Emilio, um suboficial do exército mantido refém pela guerrilha colombiana. Em 16 de abril, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, extrema esquerda) anunciaram sua intenção de libertar o jovem soldado.

A alegria do casal durou pouco: o presidente Álvaro Uribe se recusa a ceder às Farc, que exigem, para libertar Pablo Emilio, a presença da senadora da oposição Piedad Córdoba e de Moncayo pai. "Não vamos ceder à chantagem propagandista do terrorismo", afirmou Uribe, na segunda-feira (11), antes de denunciar o "show político" do qual as Farc e Córdoba poderiam se aproveitar.

Sua intransigência causa polêmica. "Pablo Emilio tinha 19 anos quando foi sequestrado, hoje ele tem 31", suspira seu pai. "Como entender que o presidente se preocupe com os 'riscos políticos' de sua libertação? Não tenho palavras para dizer o que sinto".

Uribe aceita como únicos intermediários a Igreja católica e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Partidário da força bruta, ele acredita que as Farc tentam recuperar na cena política o espaço perdido no terreno militar. Neste ano, os guerrilheiros libertaram unilateralmente seus seis últimos reféns civis, mas eles ainda detêm cerca de vinte militares.

"Caminhante pela Paz"
"É absurdo pensar que a libertação de um refém possa pôr em risco os sucessos militares do governo, como o presidente quer que acreditemos", afirma Sigifredo Lopez, que passou oito anos nas mãos das Farc. Ex-reféns, defensores dos direitos humanos, políticos e dirigentes cívicos imploram a Uribe para que permita a libertação de Pablo Emilio Moncayo, sem sucesso. Segundo Lopez, "o ódio pessoal do chefe do Estado pelas Farc lhe faz perder qualquer senso humanitário". O pai de Uribe foi morto pelas Farc.

O presidente colombiano e seus partidários denunciam os cálculos políticos da opositora Piedad Córdoba, que há dois anos luta para obter a liberdade dos reféns. Ele chega a acusar de cumplicidade com as Farc essa veemente senadora, membro do Partido Liberal, que nunca escondeu sua admiração pelo presidente venezuelano Hugo Chávez e se diz defensora de uma solução negociada para o conflito armado.

Uribe não gosta muito mais de Gustavo Moncayo, conhecido em seu país como "o caminhante pela paz". Irritado com a aparente indiferença do poder frente ao drama de seu filho, este professor de história e geografia decidiu, três anos atrás, acorrentar suas mãos. Ele deixou seu vilarejo no sul da Colômbia para caminhar até Bogotá, a capital, e acampar na praça Bolívar, em pleno centro da cidade.

Depois Moncayo partiu para a Europa, para tentar sensibilizar a opinião pública internacional por causa dos reféns que não se chamam Ingrid Betancourt. Em Roma, ele foi recebido de forma breve pelo papa antes de voltar a caminhar pelas estradas da Colômbia.

"A operação militar que permitiu a libertação de Ingrid Betancourt em nenhum momento cumpriu as condições de 'discrição' que o presidente Uribe exige hoje para a libertação de Pablo Emilio Moncayo", lembra a analista Claudia Lopez. "O chefe do Estado não hesitou em transformar esta operação em um show político".

Em Bogotá, alguns se perguntam: onde está Ingrid Betancourt, que havia prometido fazer de tudo para obter a libertação dos outros reféns da Farc? Será que ela não poderia encontrar as palavras para convencer Uribe?

Tradução: Lana Lim

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