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15/05/2009

O declínio de uma dinastia colonial branca no Quênia

Le Monde
Antoine Strobel-Dahan
O aristocrata queniano branco Thomas Cholmondeley foi condenado, na quinta-feira (14), a oito meses de prisão por homicídio culposo, pela Suprema Corte de Nairóbi. Depois de passar três anos em detenção provisória, ele deverá sair da prisão. Fim provisório de uma novela que abala o Quênia desde 2006, na espera do recurso anunciado pela acusação.

Mas as coisas não são tão simples assim. O caso começou na noite de 10 de maio de 2006, quando Thomas Cholmondeley matou Robert Njoya, 37, após tê-lo surpreendido em companhia de um grupo de supostos caçadores clandestinos em sua fazenda de Soysambu, uma propriedade de 20 mil hectares situada no vale do Grand Rift entre Naivasha e Nakuru, 80 km a noroeste de Nairóbi.

Cholmondeley foi detido e preso. E a questão suscita emoção e raiva no Quênia, uma vez que o latifundiário acabava de ser absolvido, por provas insuficientes, depois de ter matado a tiros, em abril de 2005, um guarda florestal maasai, Samson Ole Sisina, que ele achou ser um ladrão armado.

Esses dois processos colocaram sob holofotes essa família originária do Império britânico. Thomas Cholmondeley é um descendente do terceiro barão Delamere, Hugh Cholmondeley, figura importante e pioneira da colonização, que chegou ao Quênia em 1903. Seu pai é hoje o detentor desse título, marcado pela ascendência de sir Robert Walpole, primeiro premiê britânico. O jovem fez seus estudos nas proximidades do castelo de Windsor, na Eton College, joia das escolas particulares inglesas, fundada em 1440 por Henrique 6º da Inglaterra.

A clemência da Justiça, somada ao fato de que os cerca de 30 mil brancos que vivem no Quênia são privilegiados, em sua imensa maioria, gerou sentimentos de frustração e de raiva entre a população queniana. "Por que Cholmondeley é o queniano mais sortudo da história do Código Penal", foi a manchete de um jornal local em 2005.

As palavras do juiz Muga Apondi, que justificou na quinta-feira sua clemência pela "ausência de premeditação" e pelo socorro que o acusado tentou, em vão, prestar à vítima, podem não ser o suficiente para acalmar uma opinião pública muito irritada. Com o anúncio da sentença, os maasai gritaram insultos e brandiram cartazes. Em um deles, lia-se "Matei dois cachorros: Ole Sisina e Njoya".

Tradução: Lana Lim

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