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16/05/2009

Taleban volta à ofensiva no Afeganistão

Le Monde
Rémy Ourdan Enviado especial a Cabul (Afeganistão)
Os talebans passam à ofensiva no Afeganistão. Seus métodos certamente não são convencionais, e não indicam futuros confrontos com o exército americano, seus aliados da Otan, e com as forças afegãs. Mas a multiplicação dos ataques há três dias, nas províncias de Khost, Paktika e Candahar, revelam a abertura da "temporada da guerra", um mês após a chegada da primavera.

O chefe da ONU em Cabul, Kai Eide, denunciou "um afluxo cada vez maior de talebans vindos do Paquistão". Os ataques mais ambiciosos aconteceram em Khost, no sudeste do país. A província é um alvo privilegiado do movimento talibã do clã Haqqani, com sede no Paquistão, ligado à Al-Qaeda e, como acusam em Washington, aos serviços secretos militares paquistaneses. A rede Haqqani, tanto em termos de homens quanto de influência, hoje seria mais poderosa do que a do mulá Mohammed Omar, o chefe supremo do movimento taleban.

O primeiro ataque visou, no dia 12 de maio, prédios do governo afegão em Khost. Onze suicidas atacaram a sede da prefeitura, e três outros a base da polícia. Uma patrulha americana enviada de Camp Salerno, quartel-general da brigada que comanda o dispositivo da Otan para o sudeste afegão, foi visada por outros insurgentes.

Esses combates supostamente fizeram cerca de vinte mortos, entre os suicidas e os funcionários afegãos. No dia seguinte, um carro-bomba explodiu perto de uma entrada do Camp Salerno, matando sete civis afegãos. Os talebans reivindicaram esses dois dias de ataques.

Bombardeios de civis
Os rebeldes patchuns também lançaram foguetes, na noite de 12 de maio, sobre duas bases americanas da província de Paktika. Além disso um carro-bomba foi lançado, em 14 de maio, contra uma estação de polícia de Spin Boldak, na província de Candahar, matando quatro policiais afegãos.

Esses ataques acontecem agora que Washington está revendo seu comando no Afeganistão, e que a tensão está forte com Cabul por causa dos ataques aéreos que matam civis afegãos. O general Stanley McChrystal, um veterano das forças especiais, substituiu esta semana o general David McKiernan na liderança do contingente americano.

O primeiro dossiê que ele encontra em sua escrivaninha é o balanço do bombardeio, nos dias 4 e 5 de maio, de dois vilarejos na província de Farah, no oeste do país. Cento e quarenta civis, entre os quais 95 crianças e adolescentes, teriam sido mortos durante os ataques, segundo os primeiros resultados de uma investigação do exército afegão, que deve ser entregue ao presidente Hamid Karzai. Se isso for confirmado, terá sido o mais assassino dos bombardeios aéreos americanos desde o início da intervenção ocidental no Afeganistão.

Tradição: Lana Lim

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