UOL Notícias Internacional
 

20/05/2009

Chefe rebelde de Darfur se apresenta diante do Tribunal Penal Internacional

Le Monde
Stéphanie Maupas
Em Haia
Pela primeira vez, o chefe de um grupo rebelde em Darfur se apresentou, na segunda-feira (18), diante dos juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), onde ele é processado por crimes de guerra. Bahar Idriss Abu Garda, 46, chefe da Frente da Resistência Unida (URF, sigla em inglês), é suspeito de ter participado, em 29 de setembro de 2007, de um ataque contra a base da Missão da União Africana no Sudão (MUAS) em Haskanita (norte do Darfur), durante o qual doze soldados foram mortos.

Intimado pelo TPI, Abu Garda compareceu voluntariamente. No decorrer da audiência, rápida e formal, ele simplesmente declarou sua identidade. E sua "profissão: comandante político". Como prova, o chefe rebelde, cercado de "todos os dirigentes da URF", aproveitou sua passagem por Haia para entregar uma mensagem política durante uma coletiva de imprensa.

Ainda que Abu Garda tenha se esquivado das perguntas, ele claramente expôs suas ambições. "Nós precisamos de um chefe para Darfur. Queremos uma unificação (das forças rebeldes contra o regime de Cartum). Devemos agir juntos, positivamente". O chefe do URF não esconde as desavenças entre os grupos rebeldes. "Gostaria também de dizer que alguns rebeldes, especialmente o grupo de Khalil Ibrahim (chefe do Movimento pela Justiça e Igualdade, ou JEM), fizeram propaganda. E eles não devem usar esse caso para afetar a URF", ele diz, antes de dirigir esses ataques contra o presidente sudanês, Omar Al-Bachir.

"Um dirigente político deve enfrentar a justiça", afirma Bahar Idriss Abu Garda. "Eu o chamo, assim como os outros, a vir enfrentar a justiça aqui". O chefe de Estado sudanês teve seu mandado de prisão emitido em 4 de março pela justiça internacional, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Mas ele recusa qualquer cooperação com o TPI, em especial a entregar seu ministro de Questões Humanitárias, Ahmed Harun, e o chefe da milícia pró-governamental janjawid, Ali Kosheib. Desde 2003, a guerra em Darfur fez mais de 300 mil mortos.

Ao aceitar se apresentar voluntariamente diante do Tribunal, Abu Garda escapou de um mandado de prisão. Como seu processo só será aberto daqui a vários meses, o chefe rebelde partiu livre de Haia. "Para voltar e fazer a guerra", comenta um membro do Tribunal, antes de ironizar: "É um golpe de Estado! Ele se apresenta diante da comunidade internacional como uma alternativa política para o Sudão".

Dois outros chefes rebeldes, cujos nomes permanecem confidenciais, são processados pelo procurador pelos crimes de Haskanita. Eles também poderão se entregar.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h49

    -0,55
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h54

    1,37
    64.090,30
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host