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26/05/2009

Antigo reduto da Ku Klux Klan terá primeiro prefeito negro

Le Monde
Nicolas Bourcier Enviado especial a Memphis
É uma formidável revanche na história que acaba de oferecer a Filadélfia, pequeno município de 7.300 habitantes situado na parte leste do Estado do Mississippi, onde os brancos são maioria. Quarenta e cinco anos depois de ter sido palco de um dos episódios mais sangrentos perpetrados pela organização racista da Ku Klux Klan, um caso que ficou famoso através do filme de Alan Parker, "Mississippi em Chamas", a cidade se prepara para empossar seu primeiro prefeito negro.

Pastor pentecostal e ex-administrador do condado, 53 anos de idade, James Young derrotou por pouco - com 46 votos de vantagem entre 1.996 eleitores - Rayburn Waddell, o prefeito em fim de mandato, segundo os resultados das primárias democratas divulgadas na semana passada. A ausência de candidato republicano à votação municipal, prevista inicialmente para 2 de junho, realmente leva à sua eleição a líder desta cidade, símbolo do combate pela igualdade racial, da qual 40% dos habitantes se dizem negros e 57% brancos, segundo um recenseamento de 2000.

"A Filadélfia tinha um dos piores históricos, e agora tem um dos melhores", declarou James Young, lembrando que ele foi o único aluno negro admitido na escola elementar da cidade em meados dos anos 1960. "A vitória de Barack Obama motivou as pessoas", disse ele. "Tudo isso seria inimaginável em outra época. Não há tumultos nas ruas porque eu sou negro".

"Eleição extraordinária"
Em 21 de junho de 1964, três jovens militantes dos direitos civis, James Chaney, originário do Mississippi, Andrew Goodman e Michael Schwerner, dois estudantes brancos nova-iorquinos, que haviam ido à Filadélfia para ajudar os negros a se registrarem nas listas eleitorais, foram encontrados mortos na periferia da cidade. A investigação revelou a cumplicidade das autoridades locais.

Dezessete pessoas foram presas. Em 1967, um primeiro processo condenou sete dos acusados, mas somente por infração aos direitos civis. Foi preciso esperar até 2005 para que o ex-membro da Ku Klux Klan, Edgar Ray Killen, então com 80 anos, fosse reconhecido culpado pelo homicídio triplo da Filadélfia e condenado a 60 anos de prisão.

Hoje, o Mississippi tem o mais alto número de políticos negros do país, "mas eles raramente vêm de distritos eleitorais onde os brancos formam mais da metade do eleitorado", ressalta Doug Imig, professor de ciências políticas na Universidade de Memphis. E ele acrescenta: "Como tal, a eleição da Filadélfia é extraordinária".

Tradução: Lana Lim

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