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27/05/2009

Sonho de município nos EUA de ser a nova Guantánamo gera polêmica

Le Monde
Corine Lesnes
Em Washington
Estabelecimento penitenciário novo procura detentos. Em Hardin, cidade de Montana de 3.600 habitantes, os políticos acreditavam ter encontrado uma clientela para sua prisão desesperadamente vazia: os ocupantes de Guantánamo à espera de abrigo após o fechamento do campo em janeiro de 2010.

O condado é um dos mais pobres do país. Graças à sua prisão privada, concluída em 2007, a prefeitura esperava criar uma centena de empregos. Mas o "mercado" local não manteve suas promessas. Nenhum detento foi enviado, nem pelo Estado, nem pelo governo federal.

No fim de abril, o conselho municipal de Hardin votou então uma resolução propondo seus serviços para substituir "Gitmo". Greg Smith, responsável pelo desenvolvimento, exigiu que fossem cumpridas normas de alta segurança da prisão (464 leitos). Quanto às fugas, não há com o que se preocupar, ele afirma: na cidade não há nenhum prédio construído e os condenados teriam dificuldade em se misturar a uma população que é 62% branca e 32% ameríndia.

Apesar de Montana ser um dos Estados americanos menos densamente povoados, a indignação foi instantânea entre os políticos, inclusive dois senadores democratas e amigos do presidente. "Quer Barack Obama os chame de terroristas ou não, é exatamente o que eles são", resumiu Denny Rehberg, um político da assembleia local.

Reações irracionais

Assim como em Montana, os parlamentares americanos são atingidos pela síndrome "not in my backyard" ["não no meu quintal"], assim que eles ouvem o nome Guantánamo. Na Virginia, democratas e republicanos se opõem à chegada de detentos uigures, ainda que eles tenham sido declarados inocentes quatro anos atrás pelo Pentágono, e que a comunidade chinesa muçulmana esteja disposta a acolhê-los. "Um terrorista é um terrorista", declarou o representante republicano Frank Wolf. "Sou muito crítico em relação à China, mas não sou a favor de que os cidadãos boicotem os Jogos Olímpicos ou ataquem a população chinesa".

Na semana passada, o presidente Obama tentou acalmar as reações "irracionais", lembrando que um certo número de indivíduos perigosos já se encontram nas prisões americanas, em especial na "SuperMax" no Colorado: Ramzi Youssef, condenado pelo atentado de 1993 contra o World Trade Center; o "shoe bomber" Richard Reid; o suposto 20º piloto Zacarias Moussaoui... Desde então, os democratas prometeram examinar seu "plano" quando ele estiver pronto.

Os partidários de Hardin sabem que têm pouca chance de conseguir esse mercado. Como explicou à revista "Time", George Lammers, o proprietário do Trading Post, o clima é brutal nos platôs e o vento resseca horrores. Para os detentos acostumados com temperaturas tropicais, "seria uma tortura".

Tradução: Lana Lim

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