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28/05/2009

Na Inglaterra, cursos de "gerenciamento da raiva" contra a violência escolar

Le Monde
Hélène Bekmezian
As propostas do ministro britânico da Educação Xavier Darcos para lutar contra a violência no meio escolar não são unanimidade entre professores e funcionários. Mas se levarmos em conta uma pesquisa da OpinionWay, encomendada pelo ministério da Educação, e publicada na quarta-feira (27), os franceses as aprovam totalmente.

O Reino Unido é às vezes citado como um exemplo em termos de repressão à violência na escola. "Na verdade, são poucas as escolas que estabeleceram sistemas como detectores de metais ou revistas sistemáticas na entrada dos estabelecimentos", diz Frances Child, professora e jornalista do "Daily Mail". "Além disso, não existem realmente políticas em escala nacional, cada escola tenta resolver seus próprios problemas. Geralmente as escolas preferem aplicar sistemas de prevenção e de diálogo junto aos alunos, ou cursos de gerenciamento de emoções, de controle da raiva".

Esses cursos, os "Seals" ("Social and emotional aspects of learning", ou "Aspectos sociais e emocionais do aprendizado") são obrigatórios na escola primária onde leciona Pierre Fenner, em Hull, uma cidade de 250 mil habitantes na região nordeste da Inglaterra. Toda semana, durante uma hora, todos os alunos (sujeitos a problemas ou não) aprendem a gerenciar suas emoções, a trabalhar com uma atitude positiva, a exprimir seus problemas e suas preocupações.

Preferir a recompensa ao castigo

A escola de Fenner está situada em um bairro muito pobre, e a maioria dos alunos que ali estudam tem um dos pais desempregados, quando não tem os dois. "São crianças que não se expressam bem, que veem a violência no dia a dia em casa, que brigam com os irmãos", conta Pierre Fenner. "Por exemplo, o pai de um dos meus alunos foi preso duas vezes. Mas graças a sistemas que implantamos na escola, não há violência em classe".

Mecanismos graduais que, ele explica, preferem o diálogo e, sobretudo, a recompensa ao castigo. Por exemplo, um sistema baseado nos semáforos de trânsito. Todos os alunos começam no verde, depois passam para o amarelo com o primeiro erro, para finalmente terminar no vermelho. "Quando um aluno chega no vermelho, não há punição", explica Fenner. "A gente tenta se adaptar, analisar caso a caso. Com um orientador, tenta-se entender se algo não está indo bem com a criança, com a sua família. Também se pode pedir à criança para ir a outra classe para se acalmar - sempre se pede, nunca se força - ou para ir à sala da diretora. Se nenhum dos métodos funcionar, a criança pode ir para um centro, próximo à escola, onde ela trabalha individualmente com pessoas formadas especificamente para isso. Ela pode ficar lá quantos dias forem necessários, até que a situação melhore".

Recompensas contra punições

Um dos pontos fortes da escola de Fenner é que funcionários e professores são especificamente formados para enfrentar situações difíceis. Ele mesmo está concluindo seu treinamento em "práticas restauradoras", um método que aborda o problema da violência na escola em sua totalidade e que ensina técnicas concretas aos professores. "Antes, quando uma criança fazia uma besteira, eu dizia, 'Por que você fez isso?'. Mas, na verdade, muitas vezes a criança não sabe por que ela age assim. Nesse curso, aprendemos a fazer as perguntas certas, a ver com a criança como ela pode consertar seu erro, melhorar seu comportamento e deixar de ser violenta".

Por fim, diz Fenner, "o sistema de recompensas é muito mais eficaz do que o sistema de punições". Esse jovem professor tem na manga um punhado de truques para levar os alunos a se comportarem bem. "Sempre tenho comigo pequenos bilhetes de loteria. Quando uma criança faz algo de bom - até dizer um simples 'obrigado' - eu lhe dou um bilhete, ela escreve seu nome nele e o coloca em um pote. Todos os meses, eu compro um presentinho e fazemos um sorteio com os nomes do pote".

Tradução: Lana Lim

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