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29/05/2009

China encontra dificuldades para controlar seu aliado norte-coreano

Le Monde
Bruno Philip Em Pequim
A China já havia criticado severamente a Coreia do Norte na ocasião do primeiro teste nuclear que esta havia realizado em outubro de 2006, repreendendo seu aliado por não respeitar seus compromissos a respeito da desnuclearização da península coreana. Hoje, agora que Pyongyang ameaça a Coreia do Sul com um ataque militar, dois dias após um novo teste nuclear, Pequim reitera sua oposição. Mas os termos utilizados, que são ainda mais enérgicos, mostra a confusão da China, que parece incapaz de controlar um vizinho que, entretanto, depende dela nos planos energéticos e alimentares. Em Pequim, a última provocação do regime de Kim Jong-il foi vista como uma afronta.

A declaração chinesa
"Ignorando as objeções compartilhadas pela comunidade internacional, a República Democrática Popular da Coreia testou novamente uma bomba nuclear", lamentou, na segunda-feira (25), o ministro chinês das Relações Exteriores em um comunicado, exprimindo a "oposição resoluta" do governo: "A China exige firmemente da Coreia do Norte que ela mantenha suas promessas de desnuclearização, e que pare todas as ações que possam agravar ainda mais a situação".

O temor de um colapso do regime norte-coreano
Sólido aliado do "Reino Eremita" dos tempos da guerra da Coreia (1950-1953), Pequim hoje se encontra diante de um dilema: a China deve aparecer, na condição de importante agente diplomática, como uma potência capaz de impedir os abusos norte-coreanos. Mas a diplomacia chinesa é assombrada pelo cenário catastrófico de um colapso do regime de Pyongyang, que provocaria um afluxo de centenas de milhares de norte-coreanos à China. Já se sabe que cerca de 250 mil coreanos do norte, refugiados na China, circulam entre os dois países.

O medo de uma reunificação
Outra razão que não permite Pequim de dispor de uma margem de manobra mais confortável em relação à Coreia do Norte: a perspectiva de uma reunificação coreana, que reaproximaria a China de uma Coreia do Sul onde permanecem 28.500 soldados americanos. Se a situação se degradar no vizinho e Pequim decidir intervir militarmente, como administrar essa intervenção com os militares americanos e sul-coreanos?

Reconsiderar as relações com o "vizinho problemático"? Essas preocupações não impedem, entretanto, que os analistas chineses - e portanto os dirigentes governamentais - se incomodem cada vez mais com o caráter imprevisível e belicoso do regime norte-coreano.

O jornal "Global Times", que se dedica às relações internacionais e agora publica uma edição em inglês, acaba de notar que "está mais do que na hora de a China reconsiderar sua política em relação à Coreia do Norte". Em um artigo onde há várias citações de especialistas chineses em política externa, Sun Zhe, o diretor do departamento das relações sino-americanas da universidade de Tsinghua, em Pequim, trata a Coreia do Norte como "vizinho problemático". Além disso, para ele, Pequim só exerce um "papel de pacificador" na questão, pois "o essencial do problema diz respeito, antes de tudo, à relação entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte". Em outras palavras, uma vez que as provocações norte-coreanas são amplamente dirigidas a Washington com fins de chantagem diplomática, cabe aos americanos resolverem a questão.

Tradução: Lana Lim

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