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02/06/2009

Alemanha vota pensando nas eleições legislativas

Le Monde
Marie de Vergès
Em Berlim
E assim ela concluiu: a política europeia "me agrada, ainda que muitas vezes seja muito trabalhosa". Angela Merkel foi apresentar sua visão da Europa diante de uma plateia de estudantes reunidos no grande auditório da prestigiosa universidade berlinense Humboldt, discretamente. Na quarta-feira (27), o entusiasmo não estava realmente lá.

Entretanto, a alguns dias das eleições europeias de 7 de junho, a chanceler democrata-cristã (CDU) bem que gostaria de convencer a respeito da importância de ir votar, já que as pesquisas preveem uma abstenção recorde. "A Alemanha aproveita mais do que a média o mercado interno europeu", ela arrisca. "A Europa seria ao mesmo tempo necessária... e sem alternativa. De cabo a rabo, a campanha foi monótona, alemã. Os estados-maiores dos partidos a conduziram sem entusiasmo, a princípio com os olhos pregados no calendário eleitoral nacional. Com três eleições regionais importantes no fim de agosto e, sobretudo, as eleições legislativas de 27 de setembro, o combate europeu pareceu completamente secundário.

Os social-democratas (SPD) se fizeram notar um pouco com seus cartazes de slogans provocadores, como "aqueles que levam ao dumping social votam na CDU". Mas, na essência, os grandes partidos apresentaram programas mais convencionais e tiveram dificuldade para se diferenciar, divididos entre consensos frouxos sobre a Europa e a lembrança de seus desacordos habituais.

"Sabem que tipo de União Europeia (UE) a chanceler Angela Merkel realmente quer, fora o fato de que ela não deve incluir a Turquia?", ironiza o jornal liberal "Handelsblatt. "Quanto à política europeia do ministro das Relações Exteriores (e candidato do SPD à chancelaria) Frank-Walter Steinmeier, continua sendo a grande incógnita".

"Um meio"

Com 99 eurodeputados, a Alemanha fornece, no entanto, o maior contingente de todos os Estados-membros. Além do Partido dos Cristãos Fiéis à Bíblia, dos trotskistas da Quarta Internacional, dos republicanos nacionalistas, das feministas, etc., somente as seis formações tradicionais representadas no Bundestag (câmara dos deputados) deverão poder enviar representantes a Estrasburgo.

Cada uma examinará com atenção os resultados da votação, como um indicador das próximas eleições. Em graus diversos, tanto conservadores quanto social-democratas, parceiros forçados do governo de grande coalizão, já perdem na saída.

Ainda que elas estejam na liderança, a CDU e sua irmã menor bávara, a CSU, não devem repetir seu desempenho de 2004 (44,5%). A pesquisa mais recente, divulgada em 28 de maio pelo canal de televisão ARD, lhes atribui 39% dos votos. Bem atrás, o SPD reúne 26% das intenções de voto. Magro consolo: cinco anos atrás, ele teve uma pontuação ainda pior, com 21,5% dos votos. Na sequência vêm os Verdes, na terceira posição (12%), depois os liberais do FDP (9%) e o partido da esquerda radical Die Linke (7%).

A fraca participação certamente será assunto dos primeiros comentários. Cinco anos atrás, somente 43% dos eleitores haviam comparecido às urnas, dois pontos abaixo da média europeia. E não há perspectiva de melhora para essa votação, indício que as apostas europeias se esforçam para mudar. Além disso, são as tentativas de salvamento da montadora Opel e a polêmica sobre futuras diminuições de impostos que monopolizaram o debate político nessas últimas semanas.

A ideia europeia é fortemente ancorada na Alemanha, sem dúvida mais do que em seus vizinhos. A necessidade de uma integração forte não suscita controvérsias entre os grandes partidos. No momento da crise econômica, no entanto, alguns se preocupam com um processo de afastamento.

"Nós pensamos e agimos de forma 'nacional', ao passo que sabemos que os grandes problemas só podem ser resolvidos em nível europeu", lamentou o presidente do SPD, Franz Müntefering, durante um encontro com a imprensa estrangeira em 27 de maio.

Em uma coluna no "Süddeutsche Zeitung", publicada na quinta-feira (28) e intitulada "Europapolitik à francesa", o verde Joschka Fischer foi ainda mais severo. "Desde o início dessa crise mundial em setembro passado, o governo aposta quase que exclusivamente em uma gestão nacional e recusa qualquer esboço de solução europeia", critica o ex-ministro das Relações Exteriores do governo de Gerhard Schröder.

Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, o prisma da Alemanha reunificada - uma potência hoje mais segura de si mesma - se modificou. "A Alemanha não considera mais a UE como um objetivo, mas somente como um meio para impor seus próprios interesses", acredita Fischer.

Tradução: Lana Lim

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