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02/06/2009

Mulheres dos dois candidatos apoiados pelos reformistas se convidam à campanha presidencial no Irã

Le Monde
Marie-Claude Decamps
A mulher de um candidato, plantada em um pódio de campanha para discursar para a multidão, enquanto seu marido se junta a ela e discretamente pega em sua mão? É rotina eleitoral na Europa ou nos Estados Unidos, mas essa cena se deu em Tabriz, no Irã, onde o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Moussavi, apoiado pelos reformistas, fazia campanha na semana passada com sua mulher, Zahra Rahnavard, para a eleição presidencial de 12 de junho.

Em um país onde as mulheres só possuem a metade dos direitos concedidos aos homens (especialmente em matéria de sucessão), e que puniu com pesadas sentenças de prisão cerca de cem iranianas em dois anos por terem feito campanha pela igualdade de direitos, é uma grande novidade. Chega a ser uma vingança, após a expulsão das 42 aspirantes a candidatas nas listas para a eleição presidencial.

Zahra Rahnavard, 64, escultora após ter sido a primeira mulher reitora de universidade, faz parte dessa geração de estudantes emancipadas que se pôs a usar voluntariamente o hijab (véu islâmico) na revolução como um sinal de reivindicação diante dos valores "ocidentais" impostos pelo xá. Hoje, sob o xador apropriado, seu hijab é florido, e suas palavras, afiadas. O que ela denuncia, como neste fim de semana em Teerã, são os "excessos" contra as mulheres para quem, a exemplo de seu marido, ela reclama sob ovações "mais abertura e liberdade".

E àqueles que se espantam com essa irrupção repentina de uma primeira-dama em potencial, ao passo que ninguém nem sabe o sobrenome da mulher do presidente Mahamoud Ahmadinejad, que só deixou que ela falasse em janeiro, enviando uma carta à sra. Mubarak, em pleno conflito de Gaza, para pedir que o Egito "deixasse entrar ajuda", Zahra Rahnavard responde: "O homem precisa da mulher, um pássaro precisa de duas asas para voar..."

A mulher do candidato reformista Mehdi Karoubi, Fatemeh, aos 63 anos também se lançou à campanha e dirige as operações para a província de Teerã. Editora da revista feminina "Irandokht", ela quer juntar, em nome da "igualdade de direitos", todas essas iranianas desgostosas com a política, mas que estão no centro da sociedade. Especialmente na universidade onde elas são a maioria (60%). "Essa presença das mulheres é eleitoreira, mas é um sinal simbólico forte", nos explicou pelo telefone a feminista Zarah Rezai. É ainda mais importante que nós, as mulheres e os jovens, nos mobilizemos, pois isso é ruim para a reeleição de Ahmadinejad. Foi nosso voto que elegeu Mohammad Khatami (presidente reformista) em 1997 (...). Talvez algo de novo esteja acontecendo..."

A outra novidade dessa campanha tão feroz quanto atípica, é a batalha na Internet, nos SMS e na televisão. Estão previstos seis debates televisionados entre os quatro candidatos, e cada um terá à sua disposição 17 horas de transmissão.

O Irã tem 23 milhões de usuários de Internet. Muitos que flertam com a censura estão fazendo campanha, nesses últimos dias. Cerca de 30 sites fazem apologia a Moussavi, que tem mais de 7 mil amigos no Facebook, tendo "mudança" por palavra de ordem e um artifício que causa furor, a cor verde como sinal de reconhecimento, presente na braçadeira, no bracelete e no xale. "É o efeito Obama, uma verdadeira campanha à americana!", ironiza Reza Tajzadeh, um analista de sistemas reformista que "treina" voluntários.

"Primeira-dama potencial"

Assim como Moussavi, Karoubi alinha o apoio de intelectuais, mas não despreza os "golpes" midiáticos. Assim, esse religioso moderno e combativo invadiu a universidade contestatória de Teerã, Amir Kabir, cercado por câmeras. Como os portões estavam fechados, ele os forçou para falar com os estudantes. Os cartazes de seus partidários eram explícitos: "Abaixo o ditador!"

Lado conservador, a campanha de Mohsen Rezai, ex-chefe dos Guardas da Revolução, mal consegue decolar. Em compensação, os estrategistas em comunicação de Ahmadinejad lhe confeccionaram um clipe eleitoral em três partes, particularmente impressionante. Tudo começa com o lançamento de um satélite em órbita, e depois o presidente-candidato é lembrado em suas viagens ao exterior, Venezuela, Cuba, África. Tudo está lá, até episódios que fizeram ranger dentes no exterior e no Irã: "A recepção dos povos do mundo", diz o comentário. Em seguida, uma parte com as viagens pelas províncias para mostrar "Ahmadinejad, o irmão do povo".

Por falta de artistas de renome, o clipe mostra a tenista francesa de origem iraniana Aravane Rezai, que fala sobre as posições do presidente: "Elas nos honram". A tenista foi filmada em Teerã, e usava um xale. Evidentemente não se cogitou mostrá-la na quadra, com as coxas à mostra, mesmo em uma campanha "à americana".

Tradução: Lana Lim

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