UOL Notícias Internacional
 

04/06/2009

Elias Skaff, a personalidade cristã de Beqaa a serviço da oposição libanesa

Le Monde
Gilles Paris
Enviado especial a Zahlah (Líbano)
Ele olha demoradamente seu território. Em dezenas e dezenas de outdoors reina o retrato de Elias Skaff, uma espécie de 'figurão' de Zahlah e do centro da planície de Beqaa, entre Beirute e Damasco. De rosto redondo e porte avantajado nos cartazes, Elias Skaff tem suas qualidades: deputado, filho de deputado, neto de deputado, ministro da Agricultura e grande proprietário de terras.

Os retratos em sépia de seus nobres ascendentes recebem os visitantes na casa da família, localizada no coração da capital greco-católica do Líbano, posicionada sob a proteção de uma estátua da Virgem empoleirada sobre os contrafortes do Monte Líbano. Em Zahlah, como em todo o país, as questões locais e nacionais se confundem durante as eleições legislativas de domingo (7), mas a divisão do voto cristão faz com que aqui se decida em grande parte o destino da maioria antissíria.

Sete cadeiras de deputados estão em jogo em Zahlah, repartidas, como exige uma lei eleitoral particularmente complicada, entre seis comunidades religiosas. Os cristãos dominam, com duas cadeiras para os greco-católicos, uma para os greco-ortodoxos, uma para os maronitas e uma última para os armênios. Os sunitas e os xiitas dividem as duas cadeiras restantes.

Em 7 de junho, os xiitas e os sunitas votarão em massa; os primeiros para a oposição, os segundos para os candidatos da situação. Eles colocarão nas urnas as listas inteiras compostas de candidatos das comunidades em questão concebidas nas altas esferas: "zei ma hiya", "tal qual" segundo o slogan do Movimento Futuro de Saad Hariri, líder da maioria parlamentar e filho do ex-primeiro ministro assassinado em 14 de fevereiro de 2005, Rafiq Hariri. Os cristãos se dispersarão entre as duas principais forças e alguns franco-atiradores, misturando votos para partidos diferentes, como exige a tradição política dessa região relutante aos partidos políticos.

Elias Skaff escolheu seu campo há muito tempo: aquele que reúne o general Michel Aoun, antiga pedra no sapato da Síria reconciliado com Damasco desde a partida das tropas sírias do Líbano, e o Hezbollah xiita. O 'figurão' de Beqaa faz um discurso quase geopolítico sobre as perniciosas intenções americanas na região para justificar sua posição. Uma disputa medíocre com Rafiq Hariri a respeito de um empréstimo bancário de alguns milhões de dólares, em meados dos anos 1990, justificaria mais certamente sua hostilidade à atual maioria parlamentar. Elias Skaff também mantinha relações muito ruins com aquele que foi por muito tempo o "procônsul" sírio no Líbano, Ghazi Kanaan, mas relações bem melhores com seu sucessor, Rostom Ghazali.

Diante do ilustre de Zahlah se ergue um outro greco-católico, Nicolas Fattouch, jurista, deputado, ex-ministro, mas que sofre acusações de negociatas que seus adversários destilam e que seus aliados nem se dão o trabalho de desmentir. "Falam coisas, mas enfim, é um pouco assim por todo o Líbano", se esquiva de forma banal Ibrahim Moussallem, membro das Forças Libanesas, o partido cristão aliado ao Movimento Futuro de Saad Hariri (com os Kataeb da família Gemayel) e ao "zaim" (chefe) feudal-progressista druso Walid Joumblatt. Fattouch, entretanto, apareceu na política durante os anos da tutela síria. Uma repetição da História, segundo Melhem Chaoul, sociólogo zahliota, pois em 1923 a potência mandatária francesa havia facilitado a ascensão do avô de Elias Skaff para contrariar as grandes famílias da região que ficaram próximas do regime otomano.

Nicolas Fattouch conservou o rótulo de "sírio", ao passo que ele defende as cores do campo oposto a Damasco, ao qual ele se juntou pouco antes das eleições de 2005. O fato de que ele era associado à exploração de uma rede de telefonia móvel na ilha iraniana de Kich não muda nada junto aos seus fiéis cristãos. "Estou farta de suas saladas" (fattouch também é o nome de uma salada oriental), se irrita uma zahliota. "Não as quero mais em minha mesa!"

O que faz com que, exceto para os incondicionais, alguns milhares de fiéis controlados pelas "máquinas" eleitorais em questão, encarregadas especialmente das compras de votos (a partir de US$ 200), os preparativos da campanha tenham alimentado o ressentimento. Nagi Skaff, primo de Elias, entrou na batalha sob suas próprias cores, denunciando ao mesmo tempo seu alinhamento político e o comportamento da maioria parlamentar, "que só quer escravos, e não verdadeiros deputados".

O homem, gentil e eloquente, rompeu com os greco-ortodoxos (que seu pai havia reunido por razões eleitoreiras) em benefício dos greco-católicos, para desafiar Elias. Um outro primo dos Skaff, Charbel, tenta convencê-lo a arbitrar um dilema shakesperiano. "Estou mais com o partido do governo, mas vou votar em Elias Skaff para não enfraquecer a liderança cristã que ele encarna. É esquizofrenia, mas aqui, todos são esquizofrênicos".

Nos restaurantes instalados em todos os lados da torrente sonora que atravessa a cidade, ainda gostam de Elias Skaff, mas lamentam-se as pressões exercidas pelos aounistas ou pelos membros do Hizbollah para deter a composição de sua lista. Àqueles respondem estas atribuídas a Saad Hariri e às Forças Libanesas para impor seus candidatos a Nicolas Fattouch.

Em 2005, o tsunami aounista, inchado pela popularidade do general que acabava de voltar de seu exílio em Paris, havia permitido a Elias Skaff conseguir seis das sete cadeiras em jogo. O partido do governo, certo de perder deputados em outros distritos, deve necessariamente ganhar pelo menos mais duas cadeiras, em 7 de junho, para esperar se agarrar ao poder. E a casa Skaff tremeria então em suas bases.

Tradução: Lana Lim

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