UOL Notícias Internacional
 

06/06/2009

A grande coalizão no poder em Berlim reforçou a influência dos alemães sobre o Parlamento europeu

Le Monde
Philippe Ricard Em Bruxelas (Bélgica)
Klaus Welle não está em campanha. Ele nunca esteve, e nunca precisará estar, para ter peso sobre o Parlamento Europeu. E com razão: esse alemão é o novíssimo secretário-geral da instituição. Esse membro da CDU, o partido de Angela Merkel, foi chefe de gabinete do atual presidente do Parlamento, seu compatriota Hans-Gert Pöttering. Sua nomeação, em março de 2009, mostra um fenômeno inevitável: a influência cada vez maior da Alemanha em uma instituição onde seus cidadãos, sejam eles deputados ou altos funcionários, garantem uma espécie de "liderança suave".

A força da delegação alemã se deve primeiro a uma cifra: 99, como o número de eurodeputados originários da Alemanha. Enquanto todos os países verão sua representação diminuir na próxima assembleia, somente a Alemanha teve condições de estabilizar sua presença durante o acordo concluído em Nice, em 2000, entre Jacques Chirac e Gerhard Schröder.

Além disso, a Alemanha se beneficia do grande espírito de equipe de seus representantes: mais de sete entre dez eurodeputados alemães pertencem aos dois principais grupos políticos, o PPE e o PSE. Contra 63% de franceses muitas vezes mais dispersos, apesar dos claros avanços nesse domínio na legislatura que se conclui. Portanto, os alemães são de longe a principal delegação nas fileiras conservadoras, das quais metade de seus representantes eram membros antes da eleição de 7 de junho, e a terceira maior entre os socialistas.

Na primeira metade da legislatura, foram dois alemães, Pöttering e Martin Schulz, que presidiram os dois grupos. O primeiro passou a assumir a presidência do hemiciclo, delegando sua função ao francês Joseph Daul, um alsaciano que encabeça a UMP (União por um Movimento Popular) no Grande Leste da França. Um homem que fica mais à vontade em alemão do que em inglês, que soube estreitar os laços com a CDU. O segundo ambiciona suceder Pöttering na segunda metade da próxima legislatura, a menos que entre na Comissão Europeia, se houver oportunidade.

"Vantagem numérica"
Após as eleições, uns e outros se preocupam bastante em renovar o acordo "técnico" que organiza a distribuição dos cargos entre as duas grandes famílias políticas do Parlamento.

"Esse acordo serve aos interesses alemães por sua vantagem numérica e sua coesão", ironiza a francesa Pervenche Berès, uma das rivais de Schulz entre os socialistas.

A vantagem não é somente numérica. "É uma verdadeira estratégia: os alemães souberam investir o Parlamento Europeu e eles têm muito menos inibição de defender seus interesses", diz um observador informado dos debates parlamentares: "Para serem eficazes, os representantes alemães efetuam pelo menos dois ou três mandatos e procuram ocupar funções-chave: as presidências de comissão, as conexões importantes e sobretudo os postos de coordenadores". No PPE, cinco alemães, contra um único francês, ocupam um lugar de coordenador. Para seu grupo político, esses deputados são encarregados de seguir e orientar as decisões nas comissões.

"A grande coalizão esquerda/direita no poder em Berlim ampliou a influência alemã durante parte da legislatura", acredita Jacques Toubon, deputado da UMP. Os representantes alemães exerceram sua influência para que o Parlamento aprovasse o acordo sobre o orçamento comunitário sem pedir mais nada... aos contribuintes germânicos. Em 2006, o acordo entre o PSE e o PPE que permitiu reformar a diretiva sobre os serviços - proposta pelo ex-comissário para o mercado interno, Frits Bolkestein - teria sido criado durante uma reunião na chancelaria entre Angela Merkel, Schulz e Pöttering.

Sobre o pacote climático e a redução de emissão de gases causadores do efeito estufa por automóveis, muitos deputados alemães retomaram por conta própria os argumentos dos industriais alemães. Mas sobre essa questão, cristãos-democratas e social-democratas nem sempre estiveram na mesma sintonia.

Saiba mais sobre as eleições europeias

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host