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06/06/2009

A vida privada de Silvio Berlusconi ofusca a campanha italiana ao parlamento europeu

Le Monde
Philippe Ridet Em Roma (Itália)
Os bombeiros de Roma tiveram de intervir, na quarta-feira (3), no palácio de Montecitorio, sede do Parlamento italiano: a haste da bandeira estrelada da Europa ameaçava cair. Para evitar qualquer incidente, ela foi retirada durante algumas horas. A anedota resume à sua maneira o desaparecimento do debate europeu na campanha eleitoral italiana. Este foi literalmente engolido pelo "Noemigate", como a imprensa passou a chamar o caso das ligações entre Silvio Berlusconi e uma jovem do subúrbio de Nápoles, Noemi Letizia. A esse escândalo se somam ainda as várias votações locais (mais de 4 mil) que acontecerão ao mesmo tempo que a eleição europeia. Ainda que elas favoreçam uma boa participação, elas também contribuirão para confundir as apostas.

As festas privadas de Silvio Berlusconi

  • AFP

    Homem lê o jornal espanhol El País, onde fotos da vida privada do premiê italiano, Silvio Berlusconi, foram publicadas. Nas imagens, registradas em agosto do ano passado, Berlusconi aparece circulando ao lado de seus convidados, que tiveram os rostos borrados, para preservar suas identidades. Duas mulheres aparecem fazendo topless junto a uma piscina, em uma das imagens. Em outra, há um homem completamente nu

A divulgação da presença do chefe do governo no aniversário de 18 anos de Noemi, seguida pelo pedido de divórcio de Verónica Lario, esposa de Berlusconi, que acusa seu marido de "sair com menores", foi o prelúdio de uma grande revelação. Acontece que o presidente do conselho, dono da terceira maior fortuna da Itália, gosta de bancar o sultão em sua casa de férias na Sardenha, chamando todo tipo de pessoas que ele considera úteis para sua diversão: jovens garotas, amigos, um cantor, uma dançarina de flamenco. Pelo fato de esses dois últimos terem feito a viagem em um avião da República, Berlusconi foi colocado sob investigação, em Roma, depois da queixa de uma associação de consumidores. "Isso será arquivado logo", ele se defendeu.

É verdade, sem dúvida, mas a questão é saber que peso terão as novas informações sobre a vida privada de Berlusconi - a quem a Igreja católica pediu mais "discrição" - na escolha dos italianos, no sábado (6) e no domingo (7). "Entramos em uma era de incerteza", explica Luca Comodo, do Instituto Ipsos. "As pessoas estão percebendo que vão votar para valer".

"É preciso ficar de olho na massa dos indecisos", escreve o cientista político Ilvo Diamanti no jornal "La Repubblica", "esses italianos que se sentem estrangeiros no país do reality show e do telejornal único, longe do berlusconismo". Embora a proximidade da eleição devesse levar a uma certeza maior de escolha, é o contrário que acontece. Um terço dos eleitores, contra um quarto, um mês atrás, ainda não escolheu o partido no qual votarão nas eleições europeias.

A caça aos indecisos foi aberta nos dois últimos dias de campanha. Berlusconi proclama que seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), que ele encabeça nos cinco distritos, tem "43%" das intenções de voto. Ao sonhar em obter somente com seu nome mais de 4 milhões de "preferências" (os eleitores podem mencionar os candidatos que têm sua preferência em uma lista), ele quer acreditar que escapará de uma forma de repulsa da política que se manifesta à medida em que os escândalos vão surgindo.

Contudo, os últimos números (não publicáveis) do qual os institutos dispõem hoje situam o PDL em torno de 38,5%. Dependendo de se ele passar ou não da marca dos 40%, o resultado do partido será interpretado como uma vitória ou uma derrota pessoal para Berlusconi. Novidade: alguns protestantes conseguiram perturbar, ainda que brevemente, suas raras aparições públicas.

De sua parte, o Partido Democrata (PD, centro-esquerda) pede pelo "voto útil". Seus dirigentes sabem que eles nem repetirão o resultado, ainda que modesto, de 33% obtidos nas eleições legislativas de 2008. Dividido a ponto de não saber a qual grupo seus futuros eurodeputados se inscreverão em Estrasburgo, sem um líder carismático, ele almeja um resultado de 26%. Uma espécie de limiar de sobrevida, abaixo do qual seu futuro não é garantido.

Cansados da indiferença de sua oposição ao berlusconismo, os eleitores do PD agora se voltam para a abstenção, para a Itália dos Valores do ex-juiz Antonio Di Pietro ou para as listas do Partido Radical e do "Sinistra e Libertà" (Esquerda e Liberdade). Essas duas últimas formações, que atualmente não têm nenhum representante na Assembleia Nacional, poderão ultrapassar os 4% e enviar um deputado a Estrasburgo.

Insensível a essas flutuações, desfrutando de eleitores fiéis, consolidado, o partido populista e xenófobo da Liga do Norte visa menos as eleições europeias do que as locais. Seu objetivo: tornar-se o principal partido em certas províncias como o Vêneto e se desenvolver no centro da Itália, onde se encontra o baluarte da esquerda. Aliada de Berlusconi no governo, ela espera, no entanto, tirar vantagem nas urnas dos deslizes do presidente do conselho e do Noemigate.

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Tradução: Lana Lim

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