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10/06/2009

Aumenta o número de trabalhadores em situação precária no Japão

Le Monde
Philippe Pons
A grande pobreza é um fenômeno relativamente recente no Japão. Até o estouro da bolha financeira no início da década de 1990, o empobrecimento era discreto e a miséria restrita aos "doya-gai" [distritos de pensões baratas] em que se concentravam os trabalhadores diaristas. Eles viviam em cômodos horríveis ou no asfalto, esperando pelo nascer do Sol para serem recrutados. Com a desaceleração do crescimento, o mercado da mão-de-obra diarista diminuiu e surgiu um novo fenômeno: os sem-teto, no centro das cidades.

Na sequência da queda dos mercados financeiros em setembro de 2008, os sem-teto se multiplicaram. Oficialmente, eles eram 18.500 em janeiro de 2009. Na realidade, pelo menos o dobro. Seu número aumenta a cada dia: 400 mil pessoas perderam o emprego desde setembro. A maioria delas eram empregadas em regime temporário. Com seu trabalho, eles também perderam a moradia em alojamentos fornecida pela empresa.

O governo demorou para tomar consciência da dimensão do fenômeno. Fatores domésticos, como as reformas do mercado de trabalho sob o governo de Koizumi (2001-2006), que expandiu o trabalho sem estabilidade e reduziu uma cobertura social já insuficiente, o agravam.

Autoridades negligentes ou repressivas

Em dez anos, a proporção dos trabalhadores em situação precária passou de 20% para 35%. Eles eram 9 milhões em 1990, o dobro em 2008. Apesar de o trabalho sem estabilidade ter sido por muito tempo destino das mulheres, esse não é mais o caso. O salário mínimo, no Japão, só representa 28% do salário médio, e o número de pessoas que recebem a assistência social mais do que dobrou em 15 anos.

Por muito tempo, a opinião pública foi pouco sensível ao fenômeno dos sem-teto e as autoridades foram negligentes ou repressivas. Movimentos como o Hakenmura (vila dos interinos) que organizou uma manifestação no parque Hibiya em Tóquio de 31 de dezembro a 5 de janeiro, na frente do Ministério da Saúde Pública, do Trabalho e do Bem-Estar, sacudiu a opinião pública. Mas não há muitos albergues para os sem-teto - uma moradia é conseguida por sorteio: uma chance em três. Instituições de caridade os ajudam. Mas as distribuições de comida às vezes provocam queixas dos vizinhos. Para os doentes, não há órgãos como o SAMU [sigla francesa para Serviços de Auxílio Médico Urgente].

Tradução: Lana Lim

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