UOL Notícias Internacional
 

12/06/2009

Nova York mobiliza-se contra a gripe A

Le Monde
Gilles van Kote Enviado especial a Nova York
Os nova-iorquinos estão preocupados com a gripe A? Alguns pais de alunos sim, e com o menor alerta em uma escola da cidade, o índice de faltas dispara. Mas a metrópole não mudou em nada seus hábitos. E são raros aqueles que, nas ruas de Manhattan, usam uma máscara de proteção.

No entanto, o Departamento de Saúde e Higiene Mental da cidade de Nova York (DOHMH), baseando-se em uma pesquisa realizada por telefone com 1.000 pessoas, calcula que cerca de meio milhão de nova-iorquinos (entre 8 milhões) foram atingidos nas últimas semanas por uma forma benigna da gripe A (H1N1). Um número que não espanta, na França, o epidemiologista e ex-diretor geral da Saúde, William Dab.

Comparado com os 27.737 casos registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na segunda-feira (8), o número pode parecer incoerente. É porque a cidade de Nova York, após ter tentado recensear todos os casos de gripe A, desistiu muito rápido disso, devido à dimensão da tarefa.

"Tornou-se impossível conduzir análises para cada caso", garante o Dr. Don Weiss, diretor da vigilância no Departamento da Saúde. "Então nós nos contentamos com os casos que justificavam uma internação". Em 9 de junho, o DOHMH registrava "só" 694 casos confirmados da gripe A (entre os quais 9 mortes) em Nova York, o que entretanto faz dela a cidade mais atingida no mundo, junto com o México.

Pouco tempo após o início da epidemia, no fim de abril, as autoridades sanitárias da cidade preferiram adotar uma estratégia de gestão "moderada" da crise. Principal objetivo: garantir o tratamento dos casos mais graves a fim de limitar o número de mortes, e para isso, evitar o congestionamento dos serviços de emergência dos hospitais envolvidos.

Uma campanha de comunicação foi lançada por meio das mídias locais e "étnicas", da distribuição em massa de panfletos (traduzidos principalmente para o espanhol, o chinês, o coreano, o italiano, o russo e até mesmo línguas crioulas) e de anúncios em rádio, bem como por meio do website da cidade e de seu número de telefone, o 311.

O princípio é explicar qual atitude adotar: só ir até o hospital em caso de sintomas graves, como dificuldades de respiração; ficar em casa se os sintomas forem leves (febre, dor de garganta), e isso até 24 horas após o desaparecimento dos sintomas mencionados; consultar um médico caso pertença a um grupo considerado de risco, como crianças com menos de 2 anos, mulheres grávidas, idosos, diabéticos, asmáticos, etc.

Para acompanhar a situação dia a dia, um sistema de comando da crise (ICS) foi estabelecido no Departamento de Saúde. Cerca de 400 pessoas, entre os 7.000 funcionários do DOHMH, contribuem com ele. "Estamos em uma emergência. Decisões devem ser tomadas em algumas horas, o que é muito incomum para nós", explica Adam Karpati, responsável pela direção do ICS. Um procedimento de fluxo de informações a partir dos serviços de emergência e de cuidados intensivos dos hospitais da cidade foi elaborado. Uma seção do ICS cuida especificamente das escolas, das quais cerca de 60 foram fechadas temporariamente (uma semana, em geral), e outra dos estabelecimentos penitenciários.

No laboratório de saúde pública, capaz desde o início de maio de detectar o vírus H1N1, as equipes, que costumam trabalhar com as ameaças bioterroristas e com o vírus da Aids, foram destacadas para enfrentar o afluxo de amostras para análise (até 80 por dia, contra 2 ou 3 em épocas normais). "Isso acaba nos dando a oportunidade de testar nossa reação frente a uma situação de emergência", constata Geoffrey Cowley, responsável pela comunicação do Departamento de Saúde.

Pois esse cenário não foi o que era esperado: uma pandemia potencialmente assassina de gripe aviária desencadeada pela mutação do vírus H5N1. "Não esperávamos ter de enfrentar um vírus tão próximo daquele de uma gripe clássica", reconhece Don Weiss. "É como em matéria de bioterrorismo: trabalha-se com cenários desconhecidos", avalia o Dr. Scott Harper, colaborador de Don Weiss.

A batalha contra o H1N1 não terminou, ainda que a frequência do setor de emergências dos hospitais nova-iorquinos tenha registrado uma ligeira queda, no fim de maio. E as surpresas foram várias: a relativa imunidade das pessoas com mais de 65 anos, a dificuldade em responder à rapidez da propagação do vírus, a hipersensibilidade da população com a questão das escolas, a pressão dos representantes municipais e das mídias, a necessidade de contar com os conselhos de bairros como intermediários junto dos habitantes... "Há muito o que se aprender com uma crise como essa", constata Don Weiss.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,84
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,35
    68.594,30
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host