UOL Notícias Internacional
 

13/06/2009

José Manuel Barroso deverá esclarecer seu programa

Le Monde
Marion Van Renterghem
Angela Merkel e Nicolas Sarkozy estão fortalecidos pela sua vitória e mais unidos do que nunca. Grandes vencedores das eleições europeias onde os outros chefes de Estado e de governos em geral não saíram fortalecidos, a chanceler alemã e o presidente francês se encontraram no Palácio do Eliseu, na quinta-feira (11), para preparar o Conselho Europeu de 18 e 19 de junho em Bruxelas.

Na ordem do dia, a recondução do português José Manuel Barroso à liderança da Comissão. Este deverá ser proposto pelo Conselho em dois tempos: "politicamente" em 19 de junho, e depois "juridicamente" em julho, após consulta dos parlamentares.

O quebra-cabeça da nomeação dos comissários

Ainda não chegou a hora da nomeação dos comissários europeus, mas todos só pensam nisso. Angela Merkel quer esperar as eleições legislativas de setembro para decidir quem ela nomeará. Sua escolha será diferente, dependendo de com quem ela se alie, com os social-democratas ou com os liberais do FDP. Ela se recusou a confirmar o nome de seu ministro do Interior, Wolfgang Schaüble.

Nicolas Sarkozy indicou que Michel Barnier estava "no topo da lista dos candidatos". A França quer negociar a pasta do mercado interno. A partida não está ganha. Uma vez nomeado, Barroso estará livre para atribuir as pastas. Além do mais, a pasta do mercado interno poderá ser dividida e Barnier poderá perder a parte estratégica dos serviços financeiros. Essa questão exige uma grande experiência financeira e um domínio perfeito do inglês.

Merkel e Sarkozy, originários do Partido Popular Europeu (PPE), confirmaram que apoiavam sua candidatura, mas "sem obrigação": antes do apoio incondicional, a análise de seu programa. "Pedimos a José Manuel Barroso que ele esclareça e formalize suas intenções na véspera de seu segundo mandato, disse Sarkozy: fazer com que a Europa proteja os europeus, que ele se comprometa com um trabalho a serviço de uma melhor regulamentação financeira, que ele leve uma vontade política para a Europa". Ele não resistiu ao cardápio do dia: "A escolha que fizemos é precisa: Barroso e um programa. Ou melhor: um programa e Barroso".

Merkel e Sarkozy, decepcionados com a passividade do presidente atual durante a crise econômica e financeira, lhe pedem um engajamento político voluntarista para os próximos cinco anos, sobre o clima, o desenvolvimento sustentável e sobretudo uma posição fiel às orientações do G20 e ao relatório Larosière sobre a regulamentação financeira. Enfim, uma ruptura nítida com o "legislar menos" que havia inaugurado seu mandato em 2004.

O assunto é sensível, convém ser prudente: Barroso deve enfrentar uma hostilidade muito forte de parlamentares, dos "eurocéticos" de direita e de extrema esquerda aos "eurófilos" de esquerda e de centro, que o verde Daniel Cohn-Bendit e o socialista Martin Schulz queriam unir em uma "frente anti-Barroso".

Corrida contra o relógio
A vitória do PPE não garante a maioria necessária à eleição de Barroso, que tem interesse em seduzir para além de seu próprio grupo parlamentar. Do lado de certos deputados, isso dá lugar a toda espécie de planos impossíveis e jogadas de efeito. O britânico Graham Watson, atual chefe do grupo Aliança dos Liberais e dos Democratas Europeus (ALDE) do Parlamento Europeu, tem um plano: tornar-se presidente do Parlamento Europeu.

Para colocá-lo em prática, o programa com o qual Barroso se comprometerá o interessa. Os cerca de 85 liberais da ALDE estão divididos: os franceses do MoDem são claramente contra a reeleição do atual presidente da Comissão, mas a grande maioria permanece indecisa. Se eles permitirem que Barroso obtenha uma maioria, Watson desejará obter em troca a presidência do Parlamento por uma metade da legislatura.

Uma outra ordem do dia do encontro entre Merkel e Sarkozy foi a ratificação do Tratado de Lisboa. Num futuro próximo, trata-se de dar uma forma jurídica às "garantias" concedidas em dezembro aos irlandeses, antes do segundo referendo ao qual eles serão submetidos no outono.

Mas a preocupação vem sobretudo dos britânicos. O "euroceticismo" é uma questão que avança no Reino Unido e o líder da oposição conservadora, David Cameron, se comprometeu a organizar um referendo sobre o tratado, ainda que ele já tenha sido ratificado por via parlamentar. "Em um país sem Constituição escrita, um governo pode fazer tudo", se preocupa Watson. Ora, Cameron, empolgado com a derrota do Partido Trabalhista, espera de tocaia pela queda do primeiro-ministro trabalhista, Gordon Brown. As eleições legislativas acontecerão em junho de 2010, no mais tardar.

"É uma corrida contra o relógio", admite Bruno Le Maire, secretário de Estado para as questões europeias. Em breve ele deve encontrar Cameron em Londres, para convencê-lo de que tal isolamento é contrário a seus interesses e vai "na contra-mão da história da Europa". Com o impulso de Cameron, os conservadores britânicos deixaram o PPE para constituir um grupo parlamentar de eurocéticos com os conservadores tchecos e poloneses. Os presidentes tchecos e poloneses, Vaclav Klaus e Lech Kaczynski, continuam se recusando a assinar a ratificação do Tratado de Lisboa. Se esses dois chefes de Estado, abertamente eurófobos, conseguirem suspender sua assinatura até a chegada ao poder de Cameron, será o fim do Tratado de Lisboa.

Tradução: Lana Lim

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