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13/06/2009

Milhares de peruanos marcham nas ruas de Lima em solidariedade aos índios da Amazônia

Le Monde
Chrystelle Barbier Em Lima
Como 400 outros índios shipibo de Pucallpa, uma cidade da Amazônia peruana, Zoraida viajou vinte horas de ônibus para chegar a Lima. Todos queriam estar presentes na capital, na quinta-feira (11), durante o dia de luta que mobilizou milhares de manifestantes em diversas cidades, por apelo de organizações indígenas, de sindicatos e de movimentos dos direitos humanos.

Manifestantes protestam diante
da embaixada do Peru no Chile; assista

"Nós estamos aqui para mostrar nossa solidariedade com nossos irmãos de Bagua e continuar seu combate", conta a jovem indígena, fazendo referência aos confrontos mortais entre manifestantes indígenas e as forças do governo no norte do Peru, dia 5 de junho. Uma semana pós o drama, o balanço das vítimas permanece controverso.

Segundo a Defensoria del Pueblo, mediador da República, 23 policiais e nove civis foram mortos. Os dirigentes indígenas falam em várias dezenas de vítimas. Os rumores que evocam a dissimulação de cadáveres persistem. Inúmeros indígenas estão em busca de parentes, desaparecidos durante os confrontos.

Decretos adotados em 2008, visando promover o investimento privado nas terras indígenas, são responsáveis pelo conflito. "O Estado busca privatizar a Amazônia por interesses econômicos", acredita o antropólogo francês Jean-Pierre Chaumeil. Esses "textos de lei fragilizam os direitos dos índios e a intangibilidade de seus territórios", ele acrescenta.

"Não é um capricho: defendemos nosso território, nossa água e nossos recursos, que o governo quer vender", reclama Laurencio Ramirez, um chefe shipibo. "Os índios não são cidadãos de segunda classe", ele afirma. "Nós temos direitos reconhecidos em nível nacional e internacional".

Impossível de dialogar
Após o fracasso de diversas tentativas de diálogo, a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Floresta Peruana (Aidesep) havia lançado, em 9 de abril, uma greve por tempo ilimitado. Na quinta-feira, os índios ainda bloqueavam uma estrada.

"Exigimos a supressão dos decretos", diz Marina, uma manifestante, aplaudida por estudantes que vieram para apoiar a causa indígena e pedir pela renúncia do governo. Os manifestantes não se contentam com a suspensão de dois dos decretos, votada na quarta-feira pelo Congresso, a fim de favorecer a retomada do diálogo.

"O movimento indígena pede pela supressão pura e simples dos decretos e não somente sua suspensão", garante o deputado Victor Isla, do Partido Nacionalista (oposição). Os dirigentes da Aidesep anunciaram que para eles será "impossível dialogar com um governo cujas mãos estão manchadas de sangue".

O primeiro ministro, Yehude Simon, rejeitou essa alegação e reiterou ter a "consciência tranquila". Na segunda-feira ele receberá vários apus (chefes indígenas), com os quais ele espera agora negociar diretamente.

Tradução: Lana Lim

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