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16/06/2009

Real Madrid arrisca-se apostando em Cristiano Ronaldo

Le Monde
George Hay e Rory Jones
Imagine que você é acionista de uma empresa, e que seu novo presidente lhe propõe o seguinte: investir 44% dos 366 milhões de euros do faturamento do ano anterior em ativos que vão rapidamente se desvalorizar nos cinco anos seguintes, vão custar caro para se manter, e que a qualquer momento podem tornar-se inoperantes por causa de um "carrinho" maldoso. Vista desse ângulo, a decisão do Real Madrid de apostar 160 milhões de euros em Cristiano Ronaldo e Kaká parece absurda - a transferência do primeiro é a mais cara da história do futebol.

Empresas como Rolls-Royce (elas costumam mobilizar muito capital) só dedicaram 3% de seu faturamento aos investimentos em 2008. Mas para Florentino Pérez, o novo presidente do Real Madrid, seu investimento não tem nada de excepcional. No início dos anos 2000, ele havia empenhado somas vertiginosas para reunir os "galácticos"- Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham. Essa equipe não ganhou grande coisa, mas fez vender. A empresa de consultoria Deloitte avalia que, desde 2005, o crescimento anual do faturamento do Real apresenta uma porcentagem de dois dígitos, e que sua reputação de clube mais rico do mundo está bem firme.

Pérez provavelmente quer reeditar o feito, ainda que desta vez a economia espanhola esteja em recessão. O Real tem três fontes de renda. Em 2008, 28% do faturamento vinha da venda de ingressos e de espaços reservados pelas empresas que dão acesso ao estádio Bernabeu. Essas receitas caíram 6% devido à crise e porque o clube não venceu nenhuma competição. O crescimento veio dos direitos de retransmissão, que constituíram 37% do bolo, das vendas de camisas e dos patrocinadores, que contribuíram com 35%.

O acordo sobre os direitos para a televisão que o Real fechou com o grupo espanhol Mediapro vale até a temporada 2012-2013. Mas o contrato assinado com a empresa de apostas Bwin, para patrocinar as camisas, vence em 2010. É durante a renovação desse tipo de contrato que se poderá avaliar a importância dos investimentos audaciosos nos jogadores.

Uma instituição
Não se esperava que a recessão fosse ter um impacto sobre o contrato referente às camisas. O Manchester United recentemente conseguiu condições melhores ao deixar a AIG pela Aon. Mas ao se apoderar de duas grandes estrelas mundiais, o Real facilitou as coisas para si. Os anunciantes poderão fazer grandes ofertas e assim proteger o clube da grande tormenta que deverá atingir o setor da publicidade neste ano.

Se não houver êxito, os bancos espanhóis certamente virão ao socorro do Real, verdadeira instituição que não deixariam falir. Além disso, até lá, não é errado pensar que a chegada de Cristiano Ronaldo e Kaká dará um impulso à venda de ingressos... e por fim permitir ao Real que consiga alguns títulos.

Tradução: Lana Lim

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