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17/06/2009

"Patrulhas de cidadãos" assumem um ligeiro ar fascista na Itália

Le Monde
Philippe Rider Em Roma (Itália)
Ou ele é ignorante, ou se faz de bobo. Maurizio Correnti, 38, motorista de ônibus em Milão e responsável pela Guarda Nacional Italiana, garante: a águia que orna seu chapéu e o sol negro sobre a braçadeira que ele usa no braço direito não passam de puras coincidências.

"Eu gosto da águia, é só", ele explicou. "Quanto ao sol negro, eu não sabia que era um símbolo nazista. Eu os substituiria por uma bandeira tricolor". Sua foto de uniforme ilustrava, na segunda-feira (15), os artigos dedicados a ele pela imprensa italiana.

Fantasiada dessa forma, essa Guarda Nacional Italiana, ligada ao novo Movimento Social Italiano, um pequeno grupo de extrema direita com nostalgia de Mussolini, também se propõe a organizar "patrulhas de cidadãos" agora autorizadas pela lei de segurança votada na primavera (no hemisfério norte). Enquanto espera uma regulamentação precisa, Maurizio Correnti entrou nesse nicho. Ele garante que 2.500 voluntários estão prontos para se alistar junto com ele.

Essa movimentação não preocupa o ministro do Interior, Roberto Maroni: "Estão nos acusando de querer a volta dos camisas negras, mas queremos simplesmente que os cidadãos participem da segurança", ele explicou durante uma reunião de seu partido, a Liga Norte. "Sejam elas negras, vermelhas ou verdes, as patrulhas assinalam a derrota do Estado", dizem os centristas. "A partir de agora, todo mundo se sente autorizado a fazer patrulhas", se indigna a centro-esquerda. O promotor de Milão decidiu abrir um inquérito a fim de verificar se essa iniciativa não faz parte de uma "apologia ao fascismo".

Incomodada, a centro-direita incitou o adversário a olhar para si mesmo antes de criticar os outros: "A esquerda começa uma polêmica inútil", respondeu o esquentado deputado Maurizio Gasparri. "Seria melhor se ela olhasse para Nápoles, onde os dirigentes da região confiam a proteção dos turistas a ex-detentos".

Há alguns dias, de fato, a região da Campanha, administrada pela centro-esquerda, iniciou uma operação de reinserção que poderia envolver mais de 400 ex-prisioneiros. Usando um capacete amarelo, eles foram convidados a tornar-se "operadores pela segurança dos turistas na cidade". Eles são encarregados de ajudá-los a atravessar "a autoestrada" que acompanha a beira-mar na saída do porto, ou de proteger suas peregrinações nos bairros "típicos", mas às vezes mal-afamados.

Os hoteleiros e as operadoras de turismo condenam esse projeto. O assessor de turismo da cidade de Nápoles não esconde suas dúvidas: "Será preciso ver como esses futuros 'guias' serão formados. É um serviço que exige gentileza o tempo todo, um conhecimento de idiomas e uma boa capacidade de se relacionar".

Tradução: Lana Lim

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