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17/06/2009

Um árbitro homossexual turco sem campo

Le Monde
Guillaume Perrier
Em Istambul (Turquia)
É possível ser homossexual e arbitrar uma partida de futebol profissional na Turquia? A federação nacional de futebol julgou que não. Halil Ibrahim Dinçdag, 33 anos e originário da região de Trabzon, no Mar Negro, teve recusado, em maio, o direito de atuar nas divisões superiores do campeonato turco. O motivo: ele havia sido dispensado do serviço militar por razões de saúde após ter admitido sua homossexualidade.

Essa "saída do armário" forçada jogou os holofotes sobre esse discreto jovem. Contra a vontade, o árbitro excluído dos campos tornou-se o símbolo de uma luta contra as discriminações das quais os homossexuais muitas vezes são vítimas. Corajosamente, ele decidiu se explicar nos estúdios de um programa de televisão, pedindo a seus colegas árbitros para que protestassem contra essa medida, o que lhe valeu a revogação de sua licença. "Isso sempre foi difícil para mim", ele declara. "Mas agora, começou um período complicado para minha família."

Seus parentes, entre os quais seu irmão, um imame [líder de mesquita], o apóiam em sua luta. Mas Trabzon, cidade conservadora, tornou-se difícil demais. Halil preferiu se exilar em Istambul, onde, em determinados bairros, associações e bares gays aparecem mais livremente.

Nenhuma lei proíbe ou criminaliza o homossexualismo na Turquia. Em 2008, um tribunal havia tentado dissolver a associação Lambda Istanbul sob pretexto de que ela atentava contra a moral. A condenação foi anulada depois de uma apelação. Várias estrelas da televisão ou da música já expuseram publicamente, no passado, sua preferência sexual sem provocar escândalos.

Mas o que é tolerado para um artista não o é necessariamente no machista meio do futebol, ainda mais para um árbitro. "Tenho certeza de que ele teria favorecido os jogadores fortes e musculosos", comentou um dos dirigentes da federação, para justificar o banimento de Halil Ibrahim Dinçdag. "A homofobia é um problema que a Turquia ainda não abordou", lamenta Ali Erol, fundador da associação Kaos GL.

Tradução: Lana Lim

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