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24/06/2009

O protecionismo chinês preocupa o Ocidente

Le Monde
Brice Pedroletti Em Xangai (China)
Desde o início da crise, Pequim alertava continuamente os países ocidentais contra a aplicação de medidas protecionistas. E eis que, para surpresa geral, a China acaba de lançar uma operação que visa favorecer o "buy China" nas licitações que acompanham os projetos do plano de estímulo econômico.

Uma tendência que perturbou, na terça-feira (23), o ministro alemão da Economia Karl-Theodor zu Guttenberg. "Vejo a evolução na China com preocupação, e vou me empenhar para evitar consequências nefastas para a economia de exportação alemã", ele declarou ao jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung".

EUA apresentam queixa na OMC por restrição da China

O representante americano para o Comércio Ron Kirk deverá, na terça-feira (23), prestar uma queixa contra a China diante da Organização Mundial do Comércio (OMC), a respeito das restrições impostas em Pequim à exportação de matérias-primas. Na véspera, o governo chinês havia anunciado a supressão das taxas de exportação para determinados cereais, como o trigo, o arroz, a soja e produtos como o sulfato e os fios de aço, para sustentar o setor exportador atingido pela crise. Essas novas medidas entrarão em vigor em 1º de julho, explicou o ministério das Finanças em um comunicado publicado em seu site da Internet

Enquanto os grupos estrangeiros contavam com os grandes gastos em infraestruturas previstos no plano de estímulo governamental, algumas agências do Estado e ministérios chineses publicaram, no início de junho, um comunicado comum pedindo para privilegiar "os produtos chineses nos gastos do programa de investimento governamental, exceto pelas tecnologias, bens e serviços que não podem ser obtidos com condições comerciais razoáveis na China".

Essa exortação a "comprar chinês" responde aos "protestos crescentes" de firmas nacionais e associações profissionais "diante dos inúmeros contratos lucrativos concedidos a firmas estrangeiras", segundo o "China Daily", que comemora a "resposta favorável" conseguida por Pequim.

Segundo o jornal anglófono, a comissão de planejamento chinesa (NDRC) declarou em 1º de junho que produtos chineses haviam sofrido "barreiras ilegais" durante as licitações do plano de estímulo. Ele diz ainda que essa "discriminação" era séria no setor dos fabricantes de equipamentos e de máquinas industriais, onde os estrangeiros se beneficiariam de "condições preferenciais" na importação. O único caso citado é o do trem de alta velocidade entre Pequim e Xangai do qual participa a Siemens AG. Mas o contrato concedido à firma alemã é na realidade anterior ao plano de estímulo.

Manter o diálogo
"Os mercados públicos chineses sempre estiveram fechados aos estrangeiros, exceto quando se tratava de obter altas tecnologias. Pequim não assinou o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) relativo às licitações governamentais. Aceitou seu princípio, mas as negociações ainda não resultaram em nada. É preciso ver essa exortação como um aviso para as províncias, pois os governos locais podem ter tendência a preferir soluções estrangeiras, especialmente com o intuito de favorecer os investimentos estrangeiros", diz um observador europeu em Pequim. "Isso significa que certos projetos que poderiam depender de agentes estrangeiros correm o risco de serem bloqueados", ele prossegue.

O presidente da câmara de comércio europeia na China, Joerg Wuttke, denunciou, por sua vez, as condições de uma licitação recente de 5 bilhões de euros referentes a 25 geradores eólicos. Elas eram, segundo Wuttke, desfavoráveis aos candidatos estrangeiros na medida em que privilegiavam o preço inicial das máquinas, sem levar em conta seu preço de custo real. O contrato foi levado por fabricantes chineses.

Os europeus pretendem, apesar de tudo, manter o diálogo. "Só podemos buscar ocasiões para conversar com nossos interlocutores chineses durante encontros de alto nível. Isso permite mostrar nossa preocupação com um ambiente comercial tão aberto quanto possível, sobretudo em tempos de crise", acredita Zhong Na, uma porta-voz da delegação da Comissão Europeia em Pequim.

É verdade que o plano de estímulo decidido em Pequim beneficia, indiretamente, todas as firmas presentes no mercado chinês, na medida em que estimula o crescimento.

Além disso, muitos grupos industriais estrangeiros estão presentes na China em sociedade - ou ali fabricam como entidade chinesa. A Suez Environnement, por exemplo, constata uma aceleração dos projetos: "Temos dois níveis de parcerias, com empresas locais privadas para as instalações, e com as prefeituras para os serviços de gestão, então não sentimos reticências ligadas a nosso status de empresa estrangeira. Certamente há mais licitações do que em 2008, escolhemos aqueles sobre os quais se obtém um valor agregado", garante um porta-voz do grupo em Xangai.

Tradução: Lana Lim

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