UOL Notícias Internacional
 

25/06/2009

Revolução será twitterizada... e esquecida

Le Monde
Corine Lesnes
Os próprios diretores do Twitter parecem um pouco espantados. Três anos atrás, eles ainda engatinhavam, por assim dizer. E eis que agora fazem a revolução. O primeiro comentário de Biz Stone, um dos fundadores, ainda aparece no blog dos primórdios. Ali se sente toda a exaltação do mecânico que conseguiu desmontar - e remontar - sua primeira carroceria. "Graças ao Twitter, enviei SMS a um monte de gente ao mesmo tempo. Legal!"

Era agosto de 2006. Menos de três anos se passaram, certamente um ano-luz em tempos de internet, e eis Biz Stone, Jack Dorsey e Evan Williams à frente de um fenômeno mundial (1 milhão de visitantes mensais em abril de 2008, 17 milhões um ano depois). Depois do Google, Wikipedia, Amazon, Craigslist, Facebook, iPhone, a invasão do Twitter mostra que os Estados Unidos continuam a reinar no domínio das inovações e do estilo de vida.

Quando os jovens saíram às ruas da Moldova em abril, com celulares na mão, a imprensa falou de uma "twitter revolution". Na semana passada, após a grande onda de manifestações no Irã, as manchetes foram comparáveis. "A revolução será twitterizada".

O departamento de Estado fez muito para reforçar essa ideia, quando pediu à empresa para adiar uma operação de manutenção prevista para 16 de junho, em razão da importância assumida pelo Twitter em Teerã. Em seu blog, os diretores se declaram muito honrados, mas eles ressaltam que não têm nada a ver com o governo.

No início, as mensagens eram enviadas sobretudo pelos iranianos. Agora, um amplo movimento de solidariedade se desenvolveu nos Estados Unidos. Os americanos chegam em massa nas plataformas dedicadas ao Irã. Eles propõem petições, colocam o verde em tudo. Alguns acusam a Nokia, que vendeu aos iranianos a tecnologia para identificar os blogueiros: "Vocês têm sangue nas mãos". Outros lançam uma petição para pedir ao Google que mude seu logo por um dia, "em solidariedade aos iranianos".

Se os inventores da rede são revolucionários, é contra a vontade deles. "Twitter" se traduz por "gorjear". E seu símbolo é um passarinho azul dos mais leves. Basta ler a página de Biz Stone para entender que o Twitter é um produto fresco, como as notícias ali postadas. Nenhuma palavra sobre o Irã, mas relatos de intimidade. "Felizmente encontrei meu passaporte, porque parto amanhã para a França" (18 de junho, 23h25). No avião: "Tive de deixar o corredor para uma família. Mas eu teria ficado contente se fosse a minha" (19 de junho, 18h57). No aeroporto de Nice: "A caminho de Cannes agora!" (20 de junho). Na avenida Croisette: "Um último café da manhã antes de deixar a França". Etapa seguinte: "Hello Lisboa" ("Sete horas atrás")...

Em novembro de 2008, o Twitter recusou a oferta do Facebook, que queria comprá-lo por US$ 500 milhões (R$ 990 milhões), o que foi considerado bastante audacioso por uma companhia que ainda não gerou um centavo de lucro (mas que mesmo assim paga 50 funcionários).

A ideia nasceu em San Francisco, quando Jack Dorsey buscou um meio de reunir todos seus amigos em torno da pergunta que se faz no café: "Então, o que você está fazendo neste momento?"

O Twitter é a atualidade minuto a minuto, e todo mundo tem a sensação de dividir a mesma trivialidade. Em 140 caracteres tipográficos (é preciso se ater a menos de 160 se quiser enviar um SMS), até a estrela de televisão Oprah Winfrey se torna acessível. Seu cachorro tem carrapatos, imagine. Alguém tem uma dica de remédio? Entre seus 500 mil "discípulos", encontram-se alguns milhares para responder, como em pé de igualdade, à mulher mais rica do país.

O Twitter cria simulacros de ligações pessoais com as celebridades. Nós as seguimos na esperança de sermos seguidos. Os números são bem desproporcionais. Biz Stone "segue" 229 pessoas, mas ele é lido por outras 773.192. Barack Obama é seguido por mais de um milhão de pessoas.

O campeão de todas as categorias é o ator Ashton Kutcher, com 2.357.346 leitores, o que representa uma audiência de programa de televisão. A última mensagem que lhe foi enviada há "menos de um minuto": "Você já está bêbado?" É preciso lembrar que ele havia declarado sete horas atrás "não beber água o suficiente".

As mensagens emergem do puro instantâneo, esquecido no minuto seguinte. Escreve-se na tela do computador ou no celular. Segundo os criadores, não há nada de insano em querer avisar a todos seus conhecidos que você está na cafeteria. "Seus amigos podem querer encontrá-lo".

Os americanos parecem tomados por um desejo de permanecerem conectados, a menos que seja por uma preocupação crescente de não está-lo. "Saber o que os outros estão fazendo nos permite sentir como parte de suas vidas", afirmam os promotores do site.

E o Twitter, é claro, tem seu jargão. Por exemplo, essa mensagem que você pretendia enviar por SMS, mas que por engano colocou na plataforma de 140 caracteres: não é um "tweet", mas um "twooops"...

Tradução: Lana Lim

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