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07/07/2009

Grécia vive uma rotina terrorista

Le Monde
Em Atenas
Um atentado a bomba acaba de sacudir novamente o centro de Atenas. Mais um sinal da rotina terrorista que atinge o país desde o surto de protestos em dezembro de 2008, contestando a morte de um adolescente morto por um policial.

O ataque, na sexta-feira (3), danificou gravemente um prédio que abrigava escritórios do fisco e um Mc Donald's. É a décima ação de grande escala, em um semestre, atribuída a grupos que em sua maioria demonstram uma ideologia de extrema esquerda. Em 2008, cerca de seis ações do mesmo tipo visaram em especial a polícia, órgãos do governo e os bancos.

Nessa sexta-feira, um anônimo avisou a imprensa sobre a iminência da explosão, permitindo o isolamento preventivo do bairro visado de Ambelokipi, densamente povoado. Essas precauções alimentam uma certa indiferença, ou até uma tolerância dos gregos em relação ao fenômeno.

Enquanto aguarda uma reivindicação, a polícia acredita que o golpe tenha sido dado pela Luta Revolucionária (EA, sigla em grego) que, segundo especialistas, pretende preencher o vazio deixado pelo grupo "histórico" de extrema esquerda 17 de Novembro (17-N), ativo de 1975 a 2000, que no início lutava contra a ditadura dos coronéis.

Anarco-autônomos

Incluída nas listas negras dos Estados Unidos e da União Europeia, a EA assinou treze ações desde seu surgimento em 2003, entre as quais um impressionante atentado a foguete em 2007 contra a embaixada americana e o ataque com metralhadoras a policiais, em janeiro, em Atenas - um ferido grave. O grupo, que também teve como alvo os escritórios do banco americano Citibank, invocou "a luta de massa" para "fazer da crise econômica o túmulo do capitalismo".

Um outro grupo, a Seita dos Revolucionários, não se envolve com considerações ideológicas e se limita a querer atingir qualquer detentor de autoridade, polícias ou jornalistas. Revelada em 3 de fevereiro com o ataque com metralhadora a uma delegacia, a Seita crivou de balas, em 17 de junho, um policial antiterrorista de guarda diante da casa de uma testemunha.

Investigadores e analistas se perdem em conjecturas sobre os laços que uniriam, ou não, esses dois grupos, assim como outras formações que aparecem esporadicamente. Eles se preocupam com sua agressividade, e com riscos de imitações, tendo por pano de fundo a desaceleração econômica e a repúdio em relação a uma classe política incapaz de lutar contra o clientelismo e a corrupção.

Ativistas anarco-autônomos, em especial, saem entusiasmados das mobilizações de dezembro. Os atentados incendiários com latas de gás ou coquetel Molotov atribuídos a esse movimento por anos agora são quase diários: mais audaciosos, objetivos e organizados, apesar de não haver vítimas até o momento.

Alguns minutos após a explosão de Ambelokipi, um incêndio criminoso danificou, no bairro chique de Kolonaki, um instituto de pesquisas sobre imigração ligado ao ministério do Interior. Na véspera, foi o carro do novo presidente do Conselho de Estado que foi queimado no centro da cidade, após muitos ataques a postos de polícia, bancos, comitês políticos, domicílios de altos magistrados e até igrejas.

Tradução: Lana Lim

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