UOL Notícias Internacional
 

09/07/2009

Particularmente letal na Argentina, a gripe A provoca confusão e polêmicas

Le Monde
Christine Legrand
Em Buenos Aires (Argentina)
Em alguns dias, a Argentina tornou-se o país da América Latina mais atingido pelo vírus da gripe A (H1N1), e o terceiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e do México, onde surgiu a doença, no fim de abril. O balanço oficial, na terça-feira (7), era de 72 mortos.

Cerca de 100 mil pessoas estão infectadas, segundo o ministro da Saúde, Juan Manzur, e 90% dos vírus gripais que circulam no país são do tipo A (H1N1). Os especialistas esperam por um pico da pandemia nas próximas semanas, em razão das baixas temperaturas do inverno austral.

Pela primeira vez desde o início da epidemia, no início de maio, os ministros da Saúde de todas as províncias do país se reuniram, em 6 de julho em Buenos Aires, para unificar as medidas sanitárias. As autoridades médicas haviam alertado contra a ausência de instruções precisas que permitissem lutar com eficácia contra a epidemia. Até o momento, cada governador - e até cada prefeito - podia aplicar as medidas que lhe parecessem apropriadas, o que contribuiu para a confusão.

  • REUTERS/Enrique Macarian

    Restaurante fast food na região central de Buenos Aires quase vazio durante esta semana

Buenos Aires, cidade fantasma
Muitos cidadãos denunciam a negligência do governo de Cristina Kirchner, que se mostrou mais preocupada com as eleições legislativas de 28 de junho do que com a epidemia. Essas eleições terminaram em uma amarga derrota para o governo peronista. E Gabriela Ocana, a ministra da Saúde, que havia aconselhado adiar a votação, pediu demissão de suas funções no dia seguinte a esta.

O governo se recusa a decretar estado de emergência sanitária em nível nacional. Ele se contentou em recomendar a administração de antiviral Tamiflu a qualquer pessoa com mais de 15 anos que apresente uma enfermidade respiratória e mais de 38ºC de febre.

As férias escolares de inverno foram antecipadas em duas semanas. Portanto, cerca de 10 milhões de estudantes não terão aulas antes do início de agosto. Os tribunais estão fechados, e 45 mil funcionários públicos estão de licença médica na província de Buenos Aires. Os médicos de hospitais se queixam da falta de material que permita um diagnóstico rápido. "Não há mais álcool em gel ou máscaras antigripe", informam as farmácias, por sua vez.

O estado de emergência foi decretado por algumas autoridades locais, em Buenos Aires e em diversas províncias. A capital parece uma cidade fantasma. A Associação dos Empresários Teatrais suspendeu por dez dias as atividades de seus membros. Nos cinemas que permanecem abertos, os espectadores são separados sistematicamente por uma poltrona vazia. Os centros comerciais, os transportes públicos, os bares e os restaurantes estão vazios pela metade. Em compensação, desafiando todos os conselhos de prevenção, milhares de torcedores de futebol continuam a encher os estádios.

Os economistas estimam que a epidemia, que se soma à recessão, poderá levar, neste ano, a uma queda do PIB de 0,5% a 1%, ou seja, uma perda de US$ 3 bilhões (R$ 6,1 bilhões). O setor mais atingido é o turismo, principal fonte de divisas do país.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host