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15/07/2009

Comediante italiano Beppe Grillo disputa as primárias do Partido Democrata para preencher um vazio à esquerda

Le Monde
Salvatore Aloise
Em Roma (Itália)
O comediante Beppe Grillo ficaria bem na liderança do Partido Democrata (PD, centro esquerda), o principal partido de oposição ao presidente do conselho, Silvio Berlusconi. É por isso que na segunda-feira (13) ele se apresentou, com roupas de turista, no comitê de Arzachena, na Sardenha, para entregar seu pedido de inscrição e pagar sua taxa.

É o primeiro passo formal do "Michael Moore italiano" - como a imprensa o apelidou, em referência ao cineasta e escritor americano engajado - tendo em vista sua candidatura às primárias previstas para 25 de outubro, para designar o novo secretário-geral do Partido Democrata. Na véspera, Beppe Grillo havia revelado suas intenções em seu blog, sob uma foto em que ele posa de Karl Marx.

A reação do PD foi negativa, tanto pelo plano político quanto pelo procedimento. "Não somos um bonde no qual se sobe de acordo com as circunstâncias", se irritam os dirigentes democratas. O pedido de adesão do comediante italiano foi rejeitado. Seus 16 euros de taxa serão reembolsados.

Mas a provocação permanece. Beppe Grillo deixou claro que pretende ir até o final. Ele pretende se inscrever onde reside, na Ligúria, e recolher até 20 de julho entre 1.500 e 2.000 assinaturas de membros, provenientes de 5 regiões diferentes, como prevê o estatuto do partido para participar das primárias.

Esse objetivo parece possível para aquele que, dois anos atrás, conseguiu mobilizar centenas de milhares de pessoas, em todas as praças da Itália, para um "dia de moralização da política". Sua palavra de ordem - proibir qualquer condenado em primeira instância de se candidatar às legislativas e de limitar para dois o número de mandatos dos parlamentares - acertou na mosca em um país onde os políticos não têm mais popularidade. Seu apelo, transformado em proposta de lei de iniciativa popular, aguarda para ser discutido.

Dessa vez, ele escolheu um desafio direto. Sua candidatura, ele diz, nasceu "para preencher um vazio à esquerda". Uma esquerda "com falta de ideias, de propostas, de coragem", segundo ele. Ele pretende revitalizá-la com base em um programa onde figuram em primeiro lugar a "informação livre" e "o fim do conflito de interesses do presidente do conselho (Silvio Berlusconi), tirando dele as licenças de suas cadeias de televisão".

Esse esboço de programa é destinado a elevar novamente o moral de militantes em busca de identidade e deprimidos pelos últimos fracassos eleitorais, diante da direita, nas legislativas de abril de 2008 e nas europeias de junho. Um dos principais pontos de divergência é a atitude a adotar diante de Silvio Berlusconi.

"Uma boa notícia"
Um dos raros políticos a ter considerado como "boa notícia" a provocação de Beppe Grillo é Antonio Di Pietro, ex-juiz anticorrupção, aliado e concorrente do PD. Não é por acaso. Antonio Di Pietro é hoje o menestrel do genuíno "antiberlusconismo". Seu partido, A Itália dos Valores, dobrou sua intenção de votos em um ano. Daí o nervosismo dos democratas contra a "piada de um comediante profissional", como o taxou Piero Fassino, um de seus altos dirigentes.

Diante do comediante genovês, três candidatos já estão na disputa para as primárias democratas. Após a partida forçada de Walter Veltroni em fevereiro, o partido tentou arranjar seu sucessor interino, Dario Franceschini, para limitar a quebra nas eleições europeias. Mas, desde então, a briga voltou com a perspectiva do congresso de outubro.

Na disputa contra Dario Franceschini figura o ex-ministro Pierluigi Bersani, homem de formação comunista. Seu projeto é reestruturar o partido em torno de seus dirigentes; de pôr um fim a esse partido "fluido". O terceiro candidato, por sinal, é um representante dessa sociedade civil: o cirurgião Ignazio Marino, que fez do laicismo sua luta. Nessa briga de chefes, a candidatura muito midiática de Beppe Grillo é um novo fator de divisão.

Tradução: Lana Lim

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