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16/07/2009

Está aberta a caça aos hipopótamos de Pablo Escobar

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá (Colômbia)
Na foto, um grupo de militares colombianos exibe, triunfante, o cadáver de "Pepe". Era realmente preciso matá-lo? A polêmica é grande. Nem guerrilheiro nem traficante, Pepe era só um hipopótamo em fuga. Ele foi abatido, com o aval das autoridades ambientais do departamento de Antioquia (noroeste) em 16 de junho. A foto foi publicada em 10 de julho.

  • AFP/El Tiempo
Desde então, ecologistas, defensores dos animais, editorialistas e cidadãos se mobilizaram na Colômbia para salvar Matilda, a fêmea de Pepe, e seu bebê, Hip. Duas instituições - o zoológico da cidade de Pereira e um parque de diversões de Bogotá - se apresentaram como aptos a capturar os animais. Mas apanhá-los não é fácil, e cuidar deles custa caro.

Hipopótamos nos Andes? É a Pablo Escobar, morto em 1993, que a Colômbia deve seus paquidermes. Nos anos 1980, o mafioso, à altura de seu poder, adaptou sua propriedade, a Hacienda Napoles, para abrigar dezenas de animais selvagens importados clandestinamente da África. Com a morte do "patrão", o governo assumiu o controle das terras e distribuiu os animais pelos diferentes zoológicos da região. Todos, exceto os hipopótamos que, por serem pesados demais para serem transportados, foram abandonados à sua sorte. E a sua libido.

Segue uma série de bebês hipopótamos que crescem e, por sua vez, têm filhotes: 22 animais pastam hoje nos verdes prados da fazenda. Dois anos atrás, o intrépido Pepe e sua companheira fugiram para descobrir as águas turbulentas do grande rio Magdalena.

  • EFE

    Manifestante protesta em Bogotá para que os animais não sejam sacrificados

Morte "muito colombiana"
As autoridades ambientais justificam a permissão de "caça controlada" dada, invocando os perigos que os animais errantes representam aos pescadores e às plantações. Mas "nenhum incidente sério foi registrado em dois anos", lembra o editorial de "El Tiempo".

O principal jornal do país considera que o governo calculou mal o impacto "de uma solução para o problema dos hipopótamos". O cronista Daniel Sampler denuncia a morte "muito colombiana" de Pepe em um país "que resolve seus problemas com tiros de fuzil".

Na internet, os internautas expressam sua indignação. "Os homens são bem mais perigosos para o planeta do que os hipopótamos", lembra um. "Se tivéssemos de matar tudo que fosse perigoso, não sobraria muita gente neste país", acrescenta outro.

Na terça-feira (14), uma manifestação estava prevista diante do ministério do Meio Ambiente em Bogotá. Cecília B. se espanta: "Quando o exército apresenta como troféu de caça o cadáver de um guerrilheiro ou de um criminoso, ninguém se comove".

Tradução: Lana Lim

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