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17/07/2009

Para pagar menos, os eslovacos não hesitam em ir até os supermercados húngaros

Le Monde
Martin Plichta
Enviado especial a Mosonmagyarovar (Hungria)
Na falta de "invadir Budapeste em tanques", como prometeu em uma de suas diatribes o líder nacionalista eslovaco Jan Slota,membro da coalizão governamental em Bratislava, os eslovacos tomam a Hungria de assalto com... carrinhos de supermercado. Todos os dias, há vários meses, dezenas de milhares de eslovacos invadem os hipermercados das cidades húngaras ao sul do Danúbio.

Eslovacos fazem compras na Hungria

  • A Eslováquia celebrou a entrada na zona do euro no começo do ano, mas os habitantes do país ainda preferem gastar em outra moeda. Muitos viajam até a Hungria, onde os bens de consumo são mais baratos

Nesse sábado cinzento de julho, os carros com placas da Eslováquia ocupam metade das vagas do estacionamento diante do cubo branco e azul da Tesco, distribuidora britânica em Mosonmagyarovar, a menos de meia hora de estrada de Bratislava. Além disso, tudo é previsto para receber os vizinhos eslavos: os funcionários falam eslovaco e os anúncios publicitários também são feitos na sua língua.

"Vimos fazer as compras aqui duas vezes por mês, pois tudo é mais barato do que nos hipermercados perto de nossa casa, de 20% a 30%", explica Iveta Kovacova, que vem de Petrzalka, o grande conjunto habitacional popular de Bratislava, a menos de 30 km de Mosonmagyarovar. "Com meu salário de professora e o do meu marido, funcionário público, cada euro economizado nas despesas habituais é bem-vindo", observa Kovacova, enquanto carrega seu carro. Os habitantes da parte oeste ou norte da Eslováquia constatam o mesmo quando vão para a Polônia ou para a República Tcheca.

Desde que a Eslováquia adotou o euro, em 1º de janeiro, o forinte húngaro se desvalorizou em 14%, o zloty polonês em 25% e a coroa tcheca em 10% em um ano, em relação à moeda unificada. Ao irem para os países limítrofes para comprar água engarrafada, leite, carne, mas também roupas, eletrônicos e até carros, os eslovacos provocaram uma queda de 9,2% em abril no comércio a varejo de seu país. Em compensação, a Hungria, duramente abalada pela crise econômica, registrou uma queda de apenas 4,1%, e a República Tcheca, menos atingida, cerca de 3%.

Os distribuidores na Eslováquia, falando pouco sobre seus resultados, mostram que foram atingidos. Eles expandiram as campanhas publicitárias para tentar convencer os clientes de que "os produtos não são mais caros na Eslováquia do que no exterior". Só a cooperativa COOP Jednota revelou que as vendas haviam caído 2,6% em suas lojas próximas às fronteiras, contra 1,9% para a média nacional.

Segundo a pesquisa anual sobre o custo de vida para os expatriados em 143 capitais realizada pela consultoria Mercer, Bratislava é mais cara que todas suas vizinhas, com exceção de Viena. Praga recuou da 29ª para a 70ª posição, e Budapeste da 61ª para a 108ª. Bratislava, após a adoção do euro, saltou da 45ª posição para a 30ª.

Diante do acúmulo de números desfavoráveis, o governo encomendou um estudo sobre o papel do euro na alta do "turismo comercial". Praticado há cerca de dez anos, em razão de um IVA (imposto sobre valor agregado) mais elevado na Eslováquia sobre os produtos básicos e de uma concorrência mínima nesse pequeno país de 5,6 milhões de habitantes, esse turismo estourou desde o início do ano. A economia, que crescia a um ritmo desenfreado (de 6% a 9%) nos últimos anos, sofre uma grave recessão (-5,6% de crescimento no primeiro trimestre).

A perda de lucros dos comerciantes e da renda do IVA preocupa bastante o gabinete do premiê social-democrata, Robert Fico. Ainda mais que os exportadores eslovacos estão vendo diminuir suas encomendas. "Na siderurgia, na indústria química e automobilística, os eslovacos ficaram caros demais", constata Kamil Janacek, o economista-chefe do Komercni Banka, do grupo Société Générale. "A taxa de conversão da coroa eslovaca para o euro foi superavaliada por razões de política interna e de honra nacional", acredita Janacek. "Se na euforia do crescimento a taxa escolhida podia ser lucrativa, na crise ela castiga a economia eslovaca, pois tudo ficou mais caro que antes".

O comércio entre a República Tcheca e a Eslováquia despencou no primeiro trimestre, tamanha foi a quantidade de fabricantes tchecos que trocaram seus fornecedores eslovacos por outros nos países vizinhos, inclusive a oeste.

Tradução: Lana Lim

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