UOL Notícias Internacional
 

23/07/2009

Filho do presidente chinês aparece em meio a caso de corrupção empresarial

Le Monde
Brice Pedroletti
Em Xangai (China)
Empresa surgida da prestigiosa Universidade de Tsinghua em Pequim e transformada em poucos anos em gigante mundial dos equipamentos de segurança com raios X, a chinesa Nuctech é suspeita de corrupção na Namíbia. Trata-se de um assunto particularmente vergonhoso em virtude da árvore genealógica do que foi seu presidente até 2008, Hu Haifeng, filho do presidente chinês, Hu Jintao.

As suspeitas de corrupção, sobretudo as que recaem em funcionários e dirigentes do Partido Comunista, provocam vivas reações entre os cidadãos chineses, especialmente nos que têm tribuna, isto é, os internautas. De maneira preventiva, os portais e máquinas de busca em chinês, segundo o China Digital Times, centro de pesquisa sobre internet em chinês da Universidade Berkeley, na Califórnia, receberam ontem instruções para censurar qualquer menção a Hu Haifeng e ao assunto.

A promoção de Hu ao posto de primeiro-secretário do partido na Tsinghua Holdings, a entidade controlada pela universidade e que manipula sua participação em dezenas de empresas comerciais, entre elas a Nuctech, talvez tenha relação com os riscos que representa uma associação muito estreita do filho do dirigente chinês com uma empresa que em várias ocasiões se beneficiou, de tabela, da generosa ajuda chinesa ao desenvolvimento. Haifeng também é conhecido pelo apelido de "Príncipe Teflon", por sua discrição exemplar nos negócios... até agora.

Foi a comissão contra a corrupção da Namíbia que deu o alarme. Esta descobriu que US$ 12,8 milhões, entregues em princípio ao Banco de Importações e Exportações da China como "antecipação de fabricação" para a Nuctech, estavam na conta de uma empresa intermediária na Namíbia. Três sócios dessa empresa, a Tekko Trading, esvaziaram a conta em poucas semanas e realizaram enormes gastos; finalmente foram presos.

Um dos sócios é o chinês Yang Fang, ao que parece representante da Nuctech na África. Essa empresa chinesa, que é um dos líderes mundiais em portais gigantes capazes de escanear contêineres nos portos, e que exporta para mais de 50 países, havia obtido um contrato de 45 milhões de euros para equipar portos marítimos e aéreos da Namíbia. Esses 45 milhões de euros foram um "empréstimo" do governo chinês no âmbito da ajuda ao desenvolvimento.

Embora não haja provas de que a "comissão" ostensivamente obtida pelos intermediários da Nuctech na Namíbia tenha relação com Hu Haifeng, o assunto levanta o véu que envolve os graves conflitos de interesses em torno da ajuda ao desenvolvimento dada pela China, sistematicamente ligada a suas empresas.

Mas esta não é a primeira vez que a Nuctech está no banco dos réus. Desde março a empresa foi objeto de uma investigação realizada pela Comissão Europeia, a pedido do Smiths Group da Inglaterra, empresa que acusa de dumping sua rival: esta dispõe dos enormes recursos do governo chinês para reduzir seus preços nas licitações com clientes europeus.

Nas Filipinas, a Nuctech ocupou as manchetes duas vezes. Em 2007, os sindicatos de professores filipinos, reunidos na Aliança de Professores Preocupados, exigiram contas do Ministério da Educação depois da assinatura na China de um contrato de US$ 645 milhões com a Nuctech durante o fórum de Boao em 2007.

O contrato cobria o equipamento necessário para o projeto filipino de ensino pela Internet, destinado a permitir o aprendizado à distância por meios digitais em todo o país. O contrato foi realizado no âmbito da cooperação com a China.

Em 2008 os parlamentares filipinos exigiram a abertura de uma investigação sobre o fornecimento de pórticos de segurança para os portos filipinos, proporcionados pela Nuctech, contrato realizado no âmbito dos empréstimos concedidos pelo Banco de Exportações e Importações da China ao Departamento de Aduanas das Filipinas, com o pretexto de que eram menos caros que os modelos semelhantes encomendados pelas autoridades portuárias de Los Angeles. Estas, por sua vez, acabaram rompendo o contrato com a Nuctech no início de 2009, por causa de uma polêmica sobre a segurança dos portos americanos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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