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25/07/2009

Gripe suína abala tradições anglicanas no Reino Unido

Le Monde
Virginie Malingre
Em Londres (Reino Unido)
Até hoje, quaisquer que fossem as pragas que ameaçassem seus fiéis, a Igreja Anglicana jamais havia posto em dúvida a prática da comunhão. Desde que Henrique 8º se proclamou "chefe supremo da Igreja e do clero da Inglaterra", em 1531, o cerimonial se manteve imutável: o pastor oferece aos fiéis, além da hóstia, um gole de vinho de um cálice, que dessa maneira passa de boca em boca. Mas a gripe A (H1N1) abalou a tradição. Na quinta-feira desta semana, os arcebispos de Canterbury e de York recomendaram às 16 mil paróquias anglicanas que "suspendessem o uso do cálice na comunhão".

Saiba mais sobre a gripe A (H1N1)

  • Reuters
Em meados de julho, o bispo de Chelmsford aconselhou os sacerdotes da diocese de Essex a esvaziar as pias de água benta a fim de reduzir os riscos de contágio. Há duas semanas essa iniciativa entrou nas fileiras das excentricidades cotidianas que marcam o ritmo da vida na Grã-Bretanha. Mas agora assumiu uma nova dimensão.

Com efeito, nos últimos dias o pânico se apoderou das ilhas de Sua Majestade. Contam-se 30 mortes (26 na Inglaterra e quatro na Escócia) relacionadas à gripe A no Reino Unido, o país da Europa mais afetado pela pandemia. Somente na Inglaterra foram hospitalizadas 840 pessoas, das quais 63 foram internadas em Unidade de Tratamento Intensivo, segundo anunciou o Ministério da Saúde na última quinta-feira. Nos últimos sete dias, 100 mil pessoas apresentaram sintomas da doença. Quer dizer, duas vezes mais que na semana anterior, na qual também duplicou o número em relação ao período anterior. Ao todo, portanto, 200 mil ingleses poderiam ter contraído a doença até hoje, embora ainda não tenham sido declarados oficialmente afetados pelo vírus H1N1.

Nesse ritmo, adverte o ministro da Saúde britânico, Andy Burnham, "poderíamos ter mais de 100 mil novos casos por dia até o final de agosto". E em setembro 12% dos assalariados seriam obrigados a não sair de casa, enquanto 30% da população - e 50% das crianças - estariam afetados pela doença. O Serviço Nacional de Saúde recomendou a todos que se preparem para enfrentar uma possibilidade catastrófica, que se traduziria em 65 mil mortes.

Em um documento de 59 páginas destinado a constituir "uma orientação para lidar com os mortos", o governo inglês prevê tudo. Considera transformar locais improvisados em "necrotérios temporários". Propõe também que os pastores celebrem "funerais básicos e mais curtos" que de costume, para evitar a saturação. E se pergunta "se seria possível que os crematórios trabalhem 24 horas nos sete dias da semana".

A Grã-Bretanha é o país "melhor preparado" para combater a pandemia, reiterou o primeiro-ministro Gordon Brown. Mas no interior do Serviço Nacional de Saúde, segundo uma pesquisa realizada pela própria instituição, só quatro em cada dez trabalhadores médicos acreditam estar equipados para enfrentar um aumento do número de pacientes. Nesta quinta-feira foi inaugurada uma linha telefônica especial para a gripe, com a finalidade de aliviar os clínicos gerais sobrecarregados pelo número de consultas. Mas ninguém acredita que esse serviço fará milagres. Sobretudo porque os 1.500 telefonistas encarregados de dar um diagnóstico por telefone, antes de proporcionar Tamiflu para os que pedirem, não têm qualquer formação médica.

Quanto ao site na web do Serviço Nacional de Saúde, que oferece um serviço equivalente, sofreu falhas em série desde seu lançamento. "O serviço está sobrecarregado no momento e não pode responder ao seu pedido. Por favor tente novamente mais tarde", podia-se ler nesta quinta-feira ao tentar acessar o site.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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