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28/07/2009

O fracasso da imaginação coletiva": a crise explicada à rainha da Inglaterra

Le Monde
Marc Roche
Em Londres (Reino Unido)
Elizabeth 2ª não é uma intelectual. Ao contrário de seu filho mais velho, o príncipe Charles, a rainha da Inglaterra tem pouco interesse pelo debate de ideias, que lhe parece uma arte improdutiva. Quanto às grandes questões econômicas, elas não interessam realmente a uma soberana que não carrega dinheiro consigo e que nunca assinou um cheque em sua vida.

No entanto, uma das piores recessões que seu reinado vive desde os anos 1930 não poderia deixar indiferente essa dona de fortuna pessoal considerável, formada por um grande parque imobiliário e uma bela carteira de ações e títulos britânicos.

Sendo assim, em novembro de 2008, Sua Majestade, que não comenta jamais as questões da atualidade, saiu de sua graciosa reserva durante uma visita à London School of Economics ao perguntar a seus anfitriões: "Por que ninguém se deu conta da gravidade da situação?"

Em uma carta dirigida à rainha, cujo conteúdo foi revelado no domingo (26), um grupo de economistas responde a suas preocupações. Eles acusam a cegueira dos "magos das finanças" que se recusaram a admitir que as coisas poderiam dar errado. "Todo mundo parecia estar fazendo seu trabalho de forma correta (...). Não viram que isso se acumulava em uma série de desequilíbrios conectados entre si, e sobre os quais nenhuma autoridade tinha jurisdição", ressalta esse círculo de professores da prestigiosa universidade londrina.

A conclusão dessa missiva por si só vale por todos os Discursos do Trono: "O fracasso em prever o momento, a dimensão e a gravidade da crise, e em preveni-la (...) teve por principal razão a incapacidade da imaginação coletiva de muitas pessoas brilhantes, tanto neste país quanto em nível internacional, em compreender os riscos do sistema em sua totalidade".

A rainha não está longe de partilhar dessa condenação sumária.
A seu ver, o que se passa em Londres não é nada além de jogo legalizado, e os jovens arrogantes que a ele se lançam são vilões especuladores.

O Palácio de Buckingham revelou que a chefe do Estado havia recebido em audiência o diretor do Banco da Inglaterra, Mervyn King, para lhe pedir explicações sobre o agravamento da conjuntura. Segundo os últimos números publicados pela Agência de Estatísticas Nacionais, a economia do Reino Unido contraiu pelo quinto trimestre seguido.

No entanto, essa empatia súbita dos Windsor pelas vítimas da recessão tem seus motivos. Na verdade, a Corte acaba de pedir por um aumento substancial da lista real para poder pagar as obras de restauração dos palácios reais.

Tradução: Lana Lim

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