UOL Notícias Internacional
 

30/07/2009

Presidente hondurenho deposto aposta em Washington para recuperar o poder

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá (Colômbia)
Há um mês, logo cedo pela manhã e de pijama, o presidente hondurenho Manuel Zelaya foi forçado a deixar seu país, expulso pelo Exército. Desde então, a comunidade internacional, com a Organização dos Estados Americanos (OEA) na liderança, exige seu retorno ao poder. Sem sucesso.

Os Estados Unidos parecem decididos a aumentar a pressão sobre o presidente interino, Roberto Micheletti. Na terça-feira (28), Washington de fato anunciou a anulação "nos próximos dias" dos vistos diplomáticos de quatro membros do governo hondurenho. "É uma medida coerente com nossa política", observou Ian Kelly, porta-voz do departamento de Estado. "Os Estados Unidos não reconhecem o governo de Micheletti", lembrou Ian Kelly. O nome dos funcionários em questão não foi informado.

Raio-X de Honduras

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    Nome oficial: República de Honduras

    Capital: Tegucigalpa

    Divisão política: 18 Estados

    Línguas: espanhol, garifuna, dialetos ameríndios

    Religião: católica 97%, protestantes 3%

    Natureza do Estado: república presidencialista

    Independência: da Espanha, em 1821

    Área: 112.088 km²

    Fronteiras: com Guatemala (256 km), El Salvador (342 km), Nicarágua (922 km)

    População: 7.792.854 de pessoas

    Grupos étnicos: mestiços 90%, ameríndios 7%, negros 2%, brancos 1%

    Economia: segundo país mais pobre da América Central; dependente de exportação de café e banana; principal parceiro econômico é EUA

    Taxa de desemprego: 27,8%

    População abaixo da linha da pobreza: 50,7%


Manuel Zelaya recebeu com satisfação a notícia da sanção americana contra "a elite golpista" de seu país. No domingo, ele havia exigido dos Estados Unidos que mostrassem mais firmeza contra Micheletti. O presidente deposto "acampa" desde sexta-feira em Ocotal, um vilarejo nicaraguense na fronteira com Honduras, de onde ele pretende organizar "a resistência contra a ditadura". Desde que ele foi expulso do poder, o chefe do Estado tentou por duas vezes voltar a seu país, apesar do mandado de prisão emitido contra ele por "traição e corrupção" pela justiça hondurenha. Em 15 de julho, o avião que o transportava não pôde aterrissar no aeroporto de Tegucigalpa, a capital, bloqueado pelo exército.

Na sexta-feira, foi a pé que Zelaya efetuou um breve retorno simbólico. Da Nicarágua, ele atravessou a fronteira, no posto de Las Manos, a cerca de cem quilômetros ao sudeste de Tegucigalpa. Usando seu chapéu branco, aclamado pela pequena multidão de simpatizantes que veio recebê-lo, "Mel" pisou em território hondurenho, sob o olhar de uma imponente operação policial e dezenas de câmeras. O presidente expulso não quer desaparecer das mídias.

"Surpreendente curva à esquerda"
Em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton havia desaprovado o gesto de Manuel Zelaya, considerado "imprudente". Como a OEA, os Estados Unidos querem acreditar nas vantagens do diálogo. Eles temem que os apelos à insurreição popular lançados pelo presidente deposto incitem à violência.

O governo de Barack Obama pretende dar todas as chances à mediação diplomática iniciada pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias. Mas esta esbarra na recusa do governo interino em aceitar o retorno ao poder de Zelaya até o fim de seu mandato em 2010. Micheletti parece convencido de que o tempo e as eleições de novembro agirão em seu favor. Mas "Mel" tem a lei do seu lado, e os aliados políticos que, como o presidente Hugo Chávez e Fidel Castro, não o pressionam à conciliação.

Grande latifundiário, membro do tradicional partido liberal, Zelaya havia efetuado em 2006 uma surpreendente curva à esquerda para se aproximar do governo e do petróleo venezuelanos. Um projeto de referendo sobre a Constituição suscitou a fúria da oposição de direita que, suspeitando que Zelaya queria se manter no poder, preferiu expulsá-lo.

Em Washington, há aqueles entre os republicanos que defendem os argumentos do governo, de que Zelaya violou a Constituição e representa uma ameaça à democracia. Ao apoiar o retorno ao poder de "Mel", Barack Obama estaria fazendo o jogo de Hugo Chávez, de sua revolução bolivariana, e dos inimigos dos Estados Unidos. Não publicamente, muitos diplomatas latino-americanos também pensam dessa forma.

Entre os mais progressistas, alguns criticam a cautela de Barack Obama. Na sequência do golpe de Estado, Washington cortou toda ajuda militar a Honduras. Mas a cooperação para o desenvolvimento continua, e nenhuma sanção econômica foi tomada para pressionar Micheletti (a União Europeia suspendeu seus financiamentos). Ora, Honduras e seus 12 milhões de habitantes dependem completamente da economia americana e do dinheiro enviado pelos imigrantes (cerca de R$ 4,3 bilhões em 2008, ou seja, 25% do PIB). É paradoxalmente à esquerda que se ouvem alguns pedirem por uma intervenção maior dos Estados Unidos.

Tradução: Lana Lim

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