UOL Notícias Internacional
 

31/07/2009

Falta de segurança enfraquece a campanha eleitoral afegã

Le Monde
Jacques Follorou
A menos de um mês da eleição presidencial afegã, prevista para 20 de agosto, cresce a preocupação entre a comunidade internacional a respeito da organização da votação e do crédito que se poderá conceder ao vencedor. Não é pouco o que está em jogo: o bom desenrolar da votação, a segunda desde a queda dos talebãs no fim de 2001, na verdade lhe permitiria demonstrar a legitimidade de sua ação nesse país. Em caso contrário, isso atestaria as transgressões de sua estratégia.

Hoje, segundo as autoridades militares da Otan em Cabul e a presidência afegã, a campanha estaria dentro dos padrões das democracias ocidentais. Se muitos preveem a vitória absoluta do atual chefe de Estado, Hamid Karzai, alguns diplomatas franceses se alegram de ver um de seus adversários, Abdullah Abdullah, obter cada vez mais apoio.

A volta dos talebãs

População. 32,7 milhões. Ela é constituída de cerca de vinte etnias (pashtuns, tadjiques, hazaras, uzbeques, baluchis...) divididas em 34 províncias.

1994. Surgimento dos talebãs compostos principalmente de pashtuns, maioria no Afeganistão.

1996. Tomada de Cabul. O regime talebã é reconhecido pelo Paquistão, pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos.

2001. Queda do regime talebã.

2004. Em outubro, Hamid Karzai é eleito presidente (55,4%). Retomada dos ataques talebãs.

2005. O primeiro turno da eleição presidencial é determinado para o dia 20 de agosto.

A morte do diretor de campanha de Abdullah, morto dia 28 de julho em um ataque no leste do país, não diminuiu a satisfação da presidência afegã, que comemorou, em 27 de julho, um cessar-fogo com os talebãs em um distrito da região noroeste para facilitar a organização da eleição. Esse acordo, no entanto, só diz respeito a um único distrito da província de Badghis, que não é um bastião do movimento. Além do mais, os rebeldes não confirmaram tal acordo.

Para além dos discursos oficiais, a eleição poderá ser, na verdade, seriamente perturbada por um ambiente cada vez menos seguro. Segundo fontes internas da Otan, todas as regiões já tiveram de diminuir o número de locais de votação. Segundo um oficial francês em serviço na zona de Kapisa (norte de Cabul), o número de postos foi diminuído, no fim de julho, em mais de 20% em relação às previsões iniciais. Essas reduções chegam a 30% em outras províncias da região do Centro, em torno da capital.

A região Sudeste, fronteiriça com o Paquistão, onde a insurreição talebã faz cada vez mais ataques, também teve de modificar seus planos iniciais. Segundo as informações transmitidas à Otan pela Unama (missão política da ONU), um terço dos cerca de mil postos de votação para essa zona de risco não serão instalados, afinal.

A região Sul, onde domina uma forte atividade insurrecional, oferece ainda menos garantias que o Centro e o Sudeste para que a votação corra bem. Segundo a ONU, em Cabul o número de postos já diminuiu 30%. Ainda que o Oeste e o Norte, mais calmos, permitam equilibrar os números já conhecidos, no dia da eleição, em quatro semanas, grandes partes do território poderão não ser cobertas.

Oficialmente, os afegãos conduzem as operações eleitorais. Mas a Comissão Independente Eleitoral e sua estrutura-irmã, a ECC, encarregada da vigilância da campanha, só dispõem de poucos meios. Ainda que representantes regionais e de distritos sejam efetivamente designados, muitos deles não vão até o local por temerem pela sua segurança. "Para garantir a segurança de um posto, é preciso destacar soldados, alguns policiais não bastam, então o fechamos", explica um oficial francês em Kapisa que confirma que os afegãos não conseguem administrar sozinhos essa votação.

Além disso, diferentemente da eleição de 2005, a apuração será feita nos locais de votação, e não nos escritórios do governo, suscitando o temor de fraudes longe de olhares externos. Dada a extensão das zonas agora não cobertas, a questão do acesso ao voto e de sua legitimidade é levantada para as populações rurais, que constituem a maioria do país.

A perda do controle de terreno pelos soldados da Otan e pelas autoridades afegãs também afeta o funcionamento da ONU, que administrou a eleição de 2005. No início de junho, a organização havia avisado seus funcionários que eles deviam se preparar para permanecer no país no mês de agosto. Temendo um forte agravamento da falta de segurança, a ONU, em meados de julho, lhes dirigiu uma contra-ordem especificando que "os funcionários não-essenciais deveriam tirar suas férias nessa mesma época". Os deslocamentos dos membros da Unama foram, por fim, drasticamente reduzidos em todo o leste e sul do país, limitando ainda mais sua margem de manobra.

Os observadores, enviados pela Comissão Europeia, sob autoridade do general francês aposentado Philippe Morillon, para garantir o bom desenrolar da eleição, contam com essa situação. "Queremos uma eleição convincente, mas já sabemos que alguns locais de votação não poderão ser abertos, o objetivo não é estar em todos os lugares", avisa Christina Gallach, porta-voz da União Europeia, de volta do Afeganistão para apresentar esse plano de ação.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host