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31/07/2009

SOS para Aung San Suu Kyi

Le Monde
Jane Birkin, Catherine Deneuve, Robert Hossein, Michel Piccoli e Alain Souchon
  • REUTERS/Patrick de Noirmont

    Aung San Suu Kyi ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991 e sempre advogou pela não-violência em um país que vem sendo governado por juntas militares sucessivas desde 1962.

    Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência birmanesa assassinado em 1947, teve acesso às melhores escolas de Yangun, prosseguindo seus estudos na Índia - país onde sua mãe foi nomeada embaixadora - e depois seguiu para Oxford.

    Assistente da Escola de Estudos Orientais de Londres, ele se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, universitário especialista em Tibete e budismo, com quem teve dois filhos.

    De volta à Mianmar em abril de 1988 para cuidar de sua mãe doente, Aung San Suu Kyi fez um discurso público pela primeira vez neste mesmo ano.

    Em um país submetido à lei marcial, ela reivindicava a formação de um governo interino e eleições livres antes de fundar, com outros militantes, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

    Em maio de 1990, seu partido recebeu votação expressiva nas eleições pluralistas. A Junta Militar, mesmo com o resultado, se negou a deixar o governo. Até hoje os generais continuam no poder.

    Suu Kyi teve a prisão domiciliar decretada pela primeira vez em 1989 -- pena que tem sido suspensa e retomada desde então.

    Suu Kyi é vista como uma pessoa inteligente, carismática e corajosa. Seus opositores a acusam de intransigente

Estamos esperando com temor o "veredicto" do processo de Aung San Suu Kyi pela corte militar birmanesa... Conhecendo a crueldade, o desdém e a má vontade dos militares a seu respeito, podemos certamente nos preparar para o pior. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz é vítima dos generais há duas décadas. Eles já tentaram assassiná-la em 2003, e desde então continuam a persegui-la. Sabemos que eles querem "afastá-la" por pelo menos um ano, tempo de se prepararem e ganhar suas "eleições", tempo para garantir que nenhuma resistência democrática seja possível...

Sabemos que Aung San Suu Kyi é corajosa, mas não está bem de saúde. Sabemos que ela é confiante, mas quanto tempo esse corpo de mulher conseguirá aguentar? Sabemos quais são as "acusações" contra ela: tudo por causa de um americano que, enganando os soldados que a vigiavam, nadou até sua "prisão domiciliar" e ficou em sua casa por um dia e duas noites. Ela lhe suplicou que fosse embora, esse mórmon munido de uma bíblia! Mas ele se recusou. E isso foi bem conveniente para a junta militar.

O crime de Aung San Suu Kyi? Não ter denunciado aos militares a intrusão desse entusiasta entre os soldados que cercavam sua residência vigiada! Soldados que, deve-se admitir, mostraram uma incrível distração naquele dia, uma vez que eles a confinaram durante quase 14 anos sem que ninguém jamais conseguisse se aproximar dela, mantendo-a em um isolamento total. Há quem fale de uma manipulação ou de uma armadilha. De qualquer forma, é uma ocasião perfeita para os militares no poder.

Tudo isso seria risível e ridículo, se a vida de Aung San Suu Kyi não estivesse em jogo, pois mais uma vez encarcerada na prisão de Insein, aos 64 anos, ela tem uma saúde cada vez mais frágil.

Seu destino está estreitamente ligado ao de seus companheiros de infortúnio, outros prisioneiros políticos, torturados e mantidos em cárcere com penas que, para alguns, chegam até 65 anos de prisão, por terem participado da "Revolução Açafrão" ou falado com estrangeiros. Nesse Estado de terror que é a Mianmar dos generais, para o povo birmanês, a única esperança que subsiste é Aung San Suu Kyi e a Liga Nacional para a Democracia, da qual ela é líder.

Ela manteve-se firme durante vinte anos, mas dessa vez tememos o pior: uma sentença que poderá calá-la para sempre.

Tradução: Lana Lim

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