UOL Notícias Internacional
 

01/08/2009

Israel e Palestina: chegou a hora da paz

Le Monde
Jean Frydman*
Desde a decisão da ONU, em novembro de 1947, de dividir a Palestina mandatária/histórica em um Estado judeu e um Estado árabe, israelenses e palestinos sempre estiveram em guerra. Foi a recusa dos árabes a essa resolução, aceita por Israel , que provocou a guerra de 1948 e a tragédia dos refugiados palestinos. Cinco Estados árabes atacaram no mesmo dia de seu nascimento esse mini-Estado de 600 mil habitantes. No entanto, os exércitos do Iraque, do Egito, da Jordânia, do Líbano e da Síria não conseguiram desmantelar o mini-exército de Israel. Posteriormente, Israel praticou uma política de ataques preventivos, (exceto, obviamente, durante a Guerra do Yom Kippur), ocupou a Palestina e se recusou a reconhecer o Estado palestino.

Chegou a hora de os israelenses admitirem, finalmente, que a Autoridade Palestina deve se tornar um Estado soberano; e de os palestinos aceitarem que Israel, seu vizinho, merece viver em segurança e em paz. Chegou a hora de o mundo árabe-muçulmano reconhecer que um Estado judeu vivendo em bom entendimento com ele não representa perigo nem para o Islã nem para os Estados árabes, e deve poder, como qualquer outro Estado, participar por direito do acordo das nações do Oriente Médio.

Pois, afinal, como um país que equivale à superfície de três departamentos franceses e com uma população de 7 milhões de habitantes, entre os quais um milhão de cidadãos árabes, poderia constituir uma ameaça para cerca de vinte Estados árabes povoados por mais de 300 milhões de habitantes?

Do lado israelense, as muitas conferências até agora não resultaram em nada, e devido principalmente a duas razões: uma desconfiança solidamente fixada em um povo que vive em ambiente hostil; e um sistema político instável, fragmentado a ponto de tornar impotentes as coalizões no poder em Jerusalém.

Chegou a hora para que o governo atual, onde três líderes de primeira ordem se entendem e se apóiam - Shimon Peres, presidente do Estado e Prêmio Nobel da Paz, Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro, representando a legitimidade política, Ehud Barak, ministro da Defesa, representando a legitimidade militar - seja um governo de união nacional para a paz, e não para a guerra.

Duas razões também emperraram tudo entre os palestinos: uma liderança que até hoje nunca realmente quis a paz; e um sistema despedaçado em facções rivais, incapazes de chegar a qualquer decisão comum.

No decorrer desses últimos 30 anos, o mundo árabe conseguiu três grandes avanços, sob comando de três dirigentes excepcionais: o presidente egípcio Anuar el-Sadat, o rei Hussein da Jordânia e o rei Abdullah da Arábia Saudita. As iniciativas dos dois primeiros trouxeram a paz entre Israel e seus respectivos países. Chegou a hora de escutar, com toda a seriedade necessária, a proposta do terceiro, a mais importante desde o início do conflito: iniciativa saudita adotada pela Liga Árabe em março de 2002, em Beirute, e reativada por Riad, em março de 2007. O rei também propõe a paz, mas com todo o mundo árabe e muçulmano. Paradoxalmente, isso pode se revelar mais fácil do que somente com o Estado palestino. Mas para dar uma chance a essa iniciativa audaciosa, Israel deve trabalhar sem demora na criação do Estado palestino.

Assim poderá ser iniciada a negociação definitiva entre iguais, entre dois Estados soberanos reconhecidos pelo conjunto da comunidade internacional, para finalmente culminar na solução de todos os conflitos nascidos do confronto árabe-israelense. Assim Israel poderá se integrar a um dos espaços econômicos mais vastos do mundo, que se beneficiará de sua experiência democrática, econômica e social. É essa relação com o mundo árabe que será a garantia de uma verdadeira segurança para todos.

Chegou a hora de os dirigentes e os povos da região aceitarem que até os conflitos mais longos, mais dolorosos, mais difíceis, um dia terminam em paz.

*Jean Frydman é industrial e conselheiro de Shimon Peres e Ehud Barak

Tradução: Lana Lim

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