UOL Notícias Internacional
 

04/08/2009

1789-2009: O dia quatro de agosto obriga a França a rever sua revolução

Le Monde
A noite de 4 de agosto de 1789 constitui a grande cena inaugural da França moderna e da história nacional. Três semanas após a revolta parisiense e a tomada da Bastilha, a Assembleia Constituinte pôs abaixo a estrutura multissecular do Antigo Regime. Em algumas horas de transe coletivo, todos os privilégios da aristocracia, da Igreja e das províncias foram abolidos. E substituídos pelo princípio - revolucionário, no senso estrito do termo - da igualdade de todos perante a lei.

Sim, foram necessárias longas décadas e algumas outras revoluções, violentas ou pacíficas, para que o princípio aparecesse, em maior ou menor grau, na realidade social do país. A noite de 4 de agosto, entretanto, continua a permear profundamente o imaginário do país. Por uma razão bem simples: mais de dois séculos após essa "grande noite" igualitária, a França continua parecendo restrita, fracionada e esclerosada pela existência de privilégios. Ou em outras palavras, para manter uma definição que evite os anacronismos, vantagens que fogem da lei comum concedidas a alguns cidadãos.

Exemplos? Há muitos, e dizem respeito a pontos essenciais. O princípio fundamental da igualdade perante os impostos se esfacelou há um bom tempo, sob o efeito combinado das isenções, vantagens e "otimizações" fiscais. Sem falar do "escudo fiscal", votado no verão de 2007, e que permitiu aos mil maiores contribuintes franceses que recebessem da administração, neste ano, um cheque médio equivalente a 30 anos de salário mínimo (350 mil euros ou R$ 920 mil).

Igualmente essencial, o princípio de igualdade perante a educação, estabelecido pela República um século após o 4 de agosto de 1789, também não resistiu às lógicas implacáveis do elitismo escolar e social, em detrimento da meritocracia exibida. Todos sabem, e todas as famílias se empenham nisso: os diplomas mais prestigiosos e valorizados são monopolizados pelos filhos dos meios mais favorecidos, somando o privilégio do patrimônio cultural ao do patrimônio financeiro.

Quanto às empresas, as polêmicas sobre os bônus, prêmios e "paraquedas" diversos, dos quais alguns diretores se beneficiam, demonstraram, de forma chocante, que o próprio conceito de privilégio não é só uma palavra. Ali, como em outras áreas, as vantagens exorbitantes reservadas a uns poucos só podem ser vividas pelos outros como profundas injustiças. Assim como no resto da sociedade, como em 4 de agosto de 1789, é o próprio princípio da democracia que está em jogo. E que deve ser reinventado.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h30

    -0,54
    3,119
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h37

    -0,54
    75.566,37
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host