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05/08/2009

O despertar talebã às vesperas das eleições no Afeganistão

Le Monde
Era previsto. Os meses de julho e agosto deviam ser sangrentos no Afeganistão. À cíclica escalada de violência do verão - cronograma imposto pelo relevo montanhoso de um país frequentemente tomado pelas neves - se soma uma eleição presidencial (em 20 de agosto) propícia, por natureza, a todo tipo de disputa armada.

Todos sabiam que os grupos insurgentes passariam à ofensiva. Era esperado que eles aproveitariam a ocasião dessa eleição com grande supervisão internacional para marcar pontos em uma guerra psicológica na qual eles agora se saem muito bem. Com 75 soldados estrangeiros mortos no mês passado, seu balanço causa sensação. A imprensa internacional revela que esse mês de julho foi "o mais mortífero" desde a queda do regime talebã no fim de 2001.

Quer dizer que o regime instalado pela comunidade internacional está à beira de um colapso? Que os talebãs estão a ponto de se apoderar de Cabul como fizeram em 1996, aproveitando-se do caos da guerra fratricida que as facções mudjahidins fizeram após a partida das tropas soviéticas e a derrubada do regime comunista? Será que a História vai gaguejar?

Esse despertar dos talebãs, que alimenta um pessimismo insistente sobre o futuro do Afeganistão, foi muitas e muitas vezes analisado e decifrado. Desperdício de auxílio internacional, corrupção dos novos senhores, mobilização internacional distraída pela guerra no Iraque, ausência de realizações econômicas no campo, vítimas civis de ataques aéreos: tamanho acúmulo de erros e de falhas que prepararam o terreno para a rebelião causam estupefação.

Será tarde demais? Há mais ou menos um ano, o governo de Cabul e a comunidade internacional voltam a se mobilizar para tentar deter essa espiral do fracasso. Instruídos pela experiência, eles se esforçam para adotar uma nova abordagem. Refinamento da estratégia militar ("afeganização" do esforço de guerra, uso menos sistemático dos ataques aéreos), início de desenvolvimento em algumas zonas: um outro cenário está em operação, que gostaríamos de ter visto florescendo desde 2002.

Foi iniciada uma corrida entre esse novo curso, ainda hesitante e embrionário, e a dinâmica insurrecional alimentada pelos primeiros erros da reconstrução. Nada é certo ainda. Ainda que o otimismo pareça bem indecente, o pior - a volta dos talebãs - também não é fatal. Contanto, é claro, que a comunidade internacional continue mobilizada para ajudar a colher os grãos recém-plantados.

Tradução: Lana Lim

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