UOL Notícias Internacional
 

11/08/2009

O ETA desafia o governo espanhol com novos atentados em Mallorca

Le Monde
Em Madrid (Espanha)
O procurador do Tribunal de Justiça das Ilhas Baleares, Bartomeu Barceló, chegou à seguinte conclusão no domingo (9), após a explosão de três bombas de baixa potência em dois restaurantes e um estacionamento subterrâneo, perto de Palma de Mallorca: "Tudo indica que existe um comando do ETA em Mallorca".

O ETA havia avisado, no fim da manhã, por meio de um telefonema a uma companhia de táxis do país basco, da existência de uma ou mais bombas na ilha de Mallorca. A primeira, colocada no toalete feminino de um restaurante de praia, explodiu por volta das 14h20, perto do centro, quando as lojas estavam cheias. Ninguém ficou ferido.
  • Manu Mielniezuk/AP

    Policial espanhol vigia praia em Palma de Mallorca, próximo das áreas atacadas pelo ETA


Segundo algumas testemunhas, ouviu-se uma pequena explosão seca, como um rojão. Imediatamente, o restaurante e seus arredores foram evacuados. Em seguida, peritos controlaram a explosão da segunda bomba, também de baixa potência, pouco depois das 16h00, em um restaurante próximo. A polícia encontrou por fim uma terceira bomba em um hotel, mas essa havia sido colocada em uma galeria comercial subterrânea. Ela só causou alguns danos materiais.

O ETA decidiu se manifestar no mesmo dia em que reivindicava, em um comunicado, os atentados contra o quartel da Guarda Civil de Burgos, em 29 de julho (64 feridos) e contra dois guardas civis mortos na explosão de seu carro em 30 de julho, em Palma de Mallorca. Esse duplo assassinato provocou uma grande mobilização de policiais nos últimos dias na ilha. A organização reivindica também o assassinato de um policial no mês de junho em Bilbao.

O ETA afirma, no texto transmitido ao jornal separatista basco Gara, "não estar buscando impor nenhum plano, ao contrário do que repetem os dirigentes espanhóis. O que o ETA busca há várias décadas é uma solução política e um diálogo".

Isolamento político

O ETA, responsável pela morte de 828 pessoas em 50 anos de existência, volta a desafiar o governo no momento em que sua vitrine política, o Batasuna, foi privada de qualquer perspectiva política pela Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH), que, em 30 de junho, reconheceu a legitimidade de sua proibição pelo governo espanhol, em 2003.

Mais isolada politicamente do que nunca, perseguida com sucesso pelas polícias espanhola e francesa (cerca de dez dos seus líderes foram detidos nos últimos meses), o ETA está enfraquecido. Mas ele quis demonstrar nesses últimos dias que continua tendo sua capacidade de matar, como fez nas vezes em que teve a intenção de propor uma negociação.

Por enquanto, o governo espanhol parece bem decidido a não deixar nenhuma esperança para o ETA. Desde o fim da trégua, em meados de 2007, após quinze meses de cessar-fogo, Madrid se concentrou na detenção das atividades da organização. O governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero declarou diversas vezes que não haveria negociações com o ETA, e que a organização seria derrotada pela ação da polícia e da justiça. O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, repetiu nas últimas semanas que o ETA não terá nenhuma saída. Provavelmente à espera de uma iniciativa política de Batasuna, ele já anunciou que rejeitaria como uma "nova farsa" tudo aquilo que não fosse o abandono da ação violenta.


Rubacalba foi até mais longe do que aquela que até então era a posição do governo espanhol, e que consistia em dizer que Batasuna poderia voltar a exercer suas atividades se condenasse os atentados do ETA. Prevendo uma declaração do Batasuna "que condena a violência" acompanhada de uma exigência de retirada de sua proibição, o ministro do Interior garantiu: "A resposta de nossa parte será radicalmente não". "Os tribunais já mostraram que o ETA e o Batasuna são a mesma coisa. "É preciso lhes dizer com firmeza que eles nunca voltarão às instituições enquanto o ETA existir", acrescentou o ministro.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host