UOL Notícias Internacional
 

11/08/2009

Reféns do Irã, opositores do governo são enredados em farsa judiciária

Le Monde
O tribunal revolucionário de Teerã nem se deu o trabalho de organizar um simulacro de processo. No sábado (8), foi diante de uma espécie de auditório de TV que cerca de dez pessoas compareceram coletivamente. Entre elas, Clotilde Reiss, 24, professora-assistente na universidade de Ispahan, detida em 1º de julho; mas também Nazak Afshar, franco-iraniana que trabalha há 18 anos na embaixada da França em Teerã, detida dois dias antes, bem como Hossein Rassam, anglo-iraniano e um dos analistas da embaixada da Grã-Bretanha em Teerã.

Suas "confissões" mostram a falta de sentido das acusações reais que pesam contra eles. Mas essa encenação permitiu que o procurador do tribunal os acusasse de terem participado, "em nome da oposição e de países estrangeiros, de um plano destinado a derrubar o regime". Bernard Kouchner, ministro das Relações Exteriores, alegou vigorosamente, em uma entrevista ao Parisien de 10 de agosto, que essas acusações de espionagem e de complô "não possuem nenhum fundamento", antes de "exigir" sua libertação. Seu colega britânico, David Milliband, denunciou uma "provocação".

Entretanto, a mensagem iraniana é clara e faz parte da repressão de uma dimensão e uma brutalidade inéditas, desencadeadas pelo regime iraniano contra todos aqueles que, desde a reeleição contestada do presidente Ahmadinejad em 12 de junho, questionam sua legitimidade. Ao utilizar a retórica do "complô do estrangeiro", Teerã espera evidentemente apelar para o lado nacionalista para isolar ainda mais e calar os reformistas e também seus inimigos de dentro.

Quanto a seus inimigos de fora, não há dúvidas de que a França tem ali lugar de destaque. Tudo contribui para isso: o comentário sem rodeios de Nicolas Sarkozy sobre "a dimensão da fraude", que permitiu a reeleição do presidente iraniano, mas também a vontade demonstrada por Paris de reforçar as sanções contra o Irã, sem falar da recente abertura de uma base militar francesa em Abu Dhabi, perto das costas iranianas.

Clotilde Reiss e Nazak Afhsar são, portanto, as reféns de um regime disposto a tudo para intimidar aqueles (muitos) que ele considera como adversários. É o sintoma de um poder que perde crédito a cada dia, aos olhos dos próprios iranianos, mas também daqueles, a começar pelo presidente americano, que gostariam de dissuadi-lo de se afundar na política do pior tipo. Isso não torna mais tolerável essa farsa judiciária.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host