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12/08/2009

Em Mianmar, dezoito meses além da conta para a Nobel da Paz Suu Kyi

Le Monde
Aung San Suu Kyi esperava "o pior", em suas próprias palavras. E muitas pessoas pelo mundo inteiro temiam por ela. Em presídio ou prisão domiciliar durante a maior parte dos vinte últimos anos, a figura emblemática da oposição democrática à junta birmanesa foi novamente encarcerada em 14 de maio e poderia ser condenada a mais cinco anos de prisão.

Portanto, o veredicto de seu processo, na terça-feira (11), poderia parecer relativamente clemente. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991 foi condenada a 18 meses de prisão domiciliar. Como se os militares birmaneses quisessem, dessa forma, mostrar à comunidade internacional que eles não são totalmente insensíveis a seus alertas.

De fato, há algumas semanas aumentam as pressões para obter a liberdade de Suu Kyi. No início de julho, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi até Rangun para defender sua causa, sem poder encontrá-la, no entanto. Em meados de julho, a secretária de Estado Hillary Clinton exigiu sua libertação e em troca apontou para um possível descongelamento das relações com Mianmar, há anos sujeita a severas sanções econômicas. A União Europeia também exprimiu sua preocupação e alertou a junta contra um veredicto negativo. Sem falar de inúmeros apoios, especialmente de organizações como a Anistia Internacional.

Esses esforços fracassaram. Ainda que menos pesada do que se temia, a condenação da opositora birmanesa continua sendo inaceitável. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, imediatamente exprimiu sua "cólera" contra "o desprezo total pela lei e pela opinião internacional" que o regime birmanês voltou a mostrar. Quanto à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), ela convocou uma reunião de emergência: "Com essa condenação, Aung San Suu Kyi não tem como participar das eleições gerais do ano que vem, que deveriam ser justas e livres", ressaltou.

É o que na verdade está em jogo para os militares no poder em Mianmar: amordaçar mais uma vez aquela que venceu com ampla vantagem as eleições legislativas de 1990 e contra a qual eles tomaram o poder e impuseram ditadura, isolamento total e subdesenvolvimento agudo ao país. Em suma, amordaçar a democracia. Esses dezoito meses de condenação são dezoito meses além da conta.

Tradução: Lana Lim

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