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12/08/2009

O Fatah consegue renovar parte de seus dirigentes

Le Monde
Laurent Zecchini Em Jerusalém
Será que o Fatah, formação histórica do movimento palestino, finalmente conseguiu sua renovação interna, sinal de uma possível retomada do processo de paz com Israel? Ao final de um congresso histórico (o anterior aconteceu em Túnis, em 1989), que teve de ser prorrogado por cinco dias em razão de dificuldades políticas ligadas às operações de votação, os primeiros resultados, divulgados na terça-feira (11), mostram uma renovação perceptível da composição do comitê central, o principal corpo dirigente do partido.

Durante vários dias, uma luta de influência, às vezes amarga, colocou em oposição os supostos partidários da "velha guarda" reunidos em torno de Mahmoud Abbas, ele mesmo reeleito à liderança do Fatah, e os "reformistas". Seu porta-voz pede há muito tempo por uma profunda reforma interna para lutar contra a corrupção e o nepotismo, responsabilizando a direção pela derrota política do Fatah, expulso de Gaza pelo Hamas em junho de 2007.

Figuras emblemáticas
Segundo resultados oficiais, dos 23 assentos do comitê central, 14 dos 18 sujeitos à renovação foram para novos membros. Entre eles, figuras emblemáticas do movimento palestino, como Marouan Barghouti, secretário-geral do Fatah para a Cisjordânia, que está preso em Israel desde 2002, Mohammed Dahlane, ex-chefe da segurança preventiva em Gaza, Jibril Rajoub, que foi o conselheiro para a segurança de Yasser Arafat, e Saeb Erekat, principal responsável pelas negociações com Israel.

Só a entrada de Marouan Barghouti no comitê central já constitui um sinal político importante: ainda que tenha sido condenado à prisão perpétua por Israel por ter causado diversos atentados, o "Mandela palestino", que exerceu um papel preponderante durante a segunda Intifada (setembro de 2000), continua sendo muito popular, especialmente entre os jovens palestinos.

Duas razões para isso: ele continuou pedindo por reformas internas para combater a corrupção, e é considerado como o homem que poderia favorecer a unidade palestina e retomar um processo de paz, hoje em estado letárgico. Por muito tempo em oposição a Mahmoud Abbas, ele poderia representar, ainda que na prisão, um verdadeiro desafio para o chefe da Organização de Libertação da Palestina (OLP) e presidente da Autoridade Palestina.

Ainda mais se for confirmado que muitos dos partidários de Abbas perderam seu mandato no comitê central. É o caso de Ahmed Qorei, ex-premiê. Dos 23 assentos dessa instância, quatro (além do de Abbas) vieram pela direção do movimento.

Na terça-feira, predominava a incerteza quanto aos resultados da eleição para o Conselho Revolucionário, do qual 80 de 120 assentos estavam sujeitos a renovação. A oposição entre "velha guarda" e "jovem geração", exibida com frequência, é relativa: Abbas (74 anos) tem vários septuagenários entre seus partidários, ao passo que Barghouti e Rajoub têm respectivamente 50 e 56 anos.

Ainda que renovado, o comitê central deverá implementar a plataforma política adotada pelo Fatah, que condiciona a retomada de negociações com Israel ao congelamento dos assentamentos na Cisjordânia, para a libertação dos prisioneiros políticos e retirada do bloqueio de Gaza. A algumas semanas do anúncio pelo presidente Barack Obama de um plano de paz para o Oriente Médio que consiste em propostas para retomar o processo de paz entre israelenses e palestinos, esse mandato limita a margem de manobra da nova direção do Fatah.

A reação israelense
O ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, julgou na segunda-feira (10) que a plataforma política adotada pelo Fatah durante seu congresso de Belém "enterrou qualquer chance de se chegar a um acordo com os palestinos nos próximos anos".

"As posições radicais e intransigentes dos palestinos sobre Jerusalém, o direito ao retorno (dos refugiados) e os bloqueios de colônias criam um abismo intransponível entre nós", ele acrescentou. Essa posição não reflete necessariamente a do conjunto do governo israelense: após a reeleição de Mahmoud Abbas, o ministro da Defesa, Ehud Barak, encarregou o chefe do Fatah de retomar o caminho das negociações.

Tradução: Lana Lim

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