UOL Notícias Internacional
 

13/08/2009

Fast-food: quando os franceses reinventam sua hora de almoço

Le Monde
Célia Héron
Devagar e sempre, as fatias de mercado do hambúrguer no setor de alimentação rápida, um dos raros setores a terem se beneficiado da crise econômica, estão sendo conquistadas por alternativas mais sedutoras. Entre as massas prontas para consumo, os corredores dos supermercados, os fast-foods de chefs estrelados... a concorrência é brutal.

"Em um contexto de recessão econômica e suas consequentes más notícias, as famílias passam a escolher estabelecimentos onde a conta sai menor", observa Valérie Cohen, em "Le marché de la restauration rapide: les nouveaux concepts" ["O mercado da alimentação rápida: os novos conceitos"], um estudo realizado pela consultoria Xerfi.

  • Renato Stockler/Folha Imagem

    Alimentação rápida especializada, produtos oferecidos pelos supermercados e fast-foods de luxo ganham mercado na França

Ainda que as estatísticas continuem bem favoráveis para os líderes do mercado - 71% das refeições feitas fora de casa custam menos de 10 euros (R$ 26), incluindo bebidas - McDonald's, Quick, Brioche Dorée e Paul devem agora enfrentar três novas tendências: a alimentação rápida especializada (em torno das massas, por exemplo), os produtos oferecidos pelos supermercados e os fast-foods de luxo.

Diversificar para conquistar

"Agora que passou a vez do sanduíche e do hambúrguer, procuramos diversificar a oferta", explica Bernard Boutboul, diretor da consultoria Gira Conseil, especializada em restaurantes. Segundo ele, "a Mezzo di Pasta e Francesca, restaurantes especializados em massas, têm um belo futuro pela frente".

O princípio de venda é lúdico: as massas são preparadas na hora, acompanhadas de um molho à escolha entre uma dezena de opções e cujo preço varia entre 1,50 e 6 euros (R$ 4 a R$ 16) para as receitas mais sofisticadas. Prontas para levar, em caixinhas de papelão plastificado, elas também podem ser consumidas no local. Consideradas como "um prato mais saudável do que o hambúrguer ou a pizza", o conceito agrada muito às mulheres, observa Carine Ledoux, diretora de marketing e comunicação da Viagio, uma das redes de fast-food de massas. Entretanto, Boutboul permanece atento: "O monoproduto não é um sucesso absoluto na França, é importante que esses estabelecimentos diversifiquem progressivamente sua oferta para fidelizar os clientes".

Os hipermercados entenderam bem isso. A rede Monoprix, com seu Daily Monop', oferece uma gama de produtos em sistema self-service. Com uma conta de 9 euros (R$ 23,50), em média, e sete lojas independentes, eles pretendem desenvolver esse sistema de distribuição em toda a França. A concorrência vem atrás: a rede Franprix lançou o conceito do "Frais and fresh", produtos de preço intermediário que podem ser aquecidos no próprio local.

"Os chefs dão seu prestígio aos fast-foods"

A última tendência é a do fast-food chique, que volta a dar prestígio para um gênero que até então era esnobado pelos gourmets. Aqueles que, como a Exki (uma rede de fast-food orgânico), exaltam as vantagens do "natural e saudável, sem conservantes" estão crescendo muito. Para Laurent Khan, diretor-geral da Exki, "o equilíbrio alimentar das receitas em geral, e não somente de alguns produtos como nos fast-foods tradicionais, representa uma vantagem". E isso apesar dos preços consideravelmente mais elevados do que os do McDonald's (o tíquete médio é de 12 euros - R$ 31,20). Mas "esses estabelecimentos miram uma clientela rica, sofisticada, urbana, um microcosmo", lembra Bernard Boutboul.

Ainda que "a alimentação rápida de luxo esteja voltada a uma minoria e não mire a mesma clientela que a dos líderes do setor de alimentação rápida, ela é fundamental, pois influencia o mercado". Quando chefs estrelados no guia Michelin, como Paul Bocuse, investem no "tostado de presunto cozido em pano com queijo Comté AOC", "um tabu desaparece: a alimentação rápida não é mais o lado negativo da tradição. Os americanos estão de olho no território francês: o país da gastronomia está reinventando a alimentação rápida, elevando o nível... A França está dando um passo realmente singular", acredita Bernard Boutboul.

No entanto, nem o orgânico, nem a alta gastronomia parecem estar em posição de preocupar o famoso "M" amarelo. O faturamento das redes emergentes continua bem abaixo daquele dos líderes do mercado. O McDonald's - cuja estratégia de desenvolvimento se adapta aos poucos à concorrência - teve em 2008 um faturamento de mais de 3 bilhões de euros (R$ 7,8 bilhões) na França. Um aumento de mais de 11% em relação ao ano anterior. São números que deverão aumentar ainda mais em 2009, quando a empresa prevê a criação de 30 novos restaurantes.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host