UOL Notícias Internacional
 

14/08/2009

Assassinatos e atentados: a situação se deteriora no Cáucaso russo

Le Monde
Alexandre Billette
Em Moscou (Rússia)
Em um Cáucaso russo em situação cada vez mais volátil, os assassinatos e os sequestros aumentaram nas últimas semanas, especialmente na Chechênia, na Inguchétia e no Daguestão. Alguns dias após o assassinato na Chechênia de Zarema Sadulaieva, a diretora da ONG "Salvemos a geração", um ministro da república vizinha da Inguchétia foi morto, na quarta-feira (12), em seu escritório.

O modo de operação utilizado para executar o ministro da Construção é de profissionais. Dois homens mascarados e vestidos de uniforme militar entraram em seu escritório e dispararam contra ele com uma arma automática, antes de fugir.

O ministro, Ruslan Amerkhanov, morreu na hora e um colaborador foi ferido por tiros. Os dois desconhecidos estão sendo procurados pela polícia.

Quarenta e oito horas antes, em Grozny, na Chechênia, a cerca de 50 quilômetros ao leste, a diretora de uma ONG Zarema Sadulaieva e seu marido foram encontrados mortos no porta-malas de seu carro, a alguns quilômetros da capital chechena. Um caso que lembra o sequestro e o assassinato em 15 de julho de Natalia Estemirova, uma respeitada militante dos direitos humanos na Chechênia.
  • Andrei Stenin/Reuters

    Rosas são colocadas ao lado de um retrato de Umar Dzhabrailov e Zarema Sadulayeva. O casal de ativistas tchetchenos, que dirigia uma ONG de assistência médica e psicológica a menores vítimas da guerra, foi encontrado morto com várias marcas de tiros no porta-malas de seu carro


Esses dois casos são os últimos de uma longa série de atentados, sequestros e assassinatos que atingem o Cáucaso russo há algumas semanas. Na terça-feira (11), um jornalista, Malik Akhmedilov, foi morto a tiros em seu carro no Daguestão; na véspera, quatro policiais e um rebelde morreram em três ataques, também no Daguestão. No início de agosto, cinco policiais foram mortos em uma emboscada na Chechênia; na véspera, dois ataques, na Inguchétia e no Daguestão, resultaram na morte de três funcionários russos e de dois policiais.

Segundo um relatório da associação de defesa dos direitos humanos Memorial, somente no mês de julho 46 pessoas foram mortas na pequena república da Inguchétia, e "são centenas" os feridos por tiros. De acordo com o próprio presidente russo, 75 policiais morreram na região entre janeiro e maio.

Entretanto, o Kremlin queria acreditar que a região estava em vias de normalização. Após quinze anos de combate entre as forças federais e os movimentos separatistas, o presidente Dmitri Medvedev decretou em abril o fim da "operação anti-terrorista" na Chechênia, iniciada em 1999. Sob a influência do presidente Ramzan Kadyrov, a república chechena parecia mais bem controlada do que seus vizinhos do Daguestão e da Inguchétia, onde os movimentos rebeldes se expandiram. Os assassinatos de Natalia Estemirova e de Zarema Sadulaieva provam o contrário.

Ramzan Kadyrov, 32, continua tendo o apoio de Moscou, apesar do muro de silêncio que impõe à Chechênia ao aplicar as "leis islâmicas" contrárias à legislação federal russa.

Enquanto alguns suspeitam que o círculo do presidente checheno seja responsável pela morte de Natalia Estemirova, Ramzan Kadyrov afirmou, no sábado (9), que tratava-se de uma mulher "sem honra, sem mérito, sem consciência. Por que Kadyrov mataria uma mulher da qual ninguém precisa?", ele afirmou, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, em uma transmissão de rádio.

Na Inguchétia, a nomeação pelo Kremlin de um novo presidente no outono passado havia levantado esperanças após o reinado de Murat Ziazikov (2002-2008), cujo regime era considerado violento e corrupto. O novo dirigente, Yunus-bek Yevkúrov, havia demonstrado abertura em relação à oposição e à sociedade civil, e se comprometeu a atacar a corrupção. Uma disposição que talvez explique o atentado do qual foi vítima em 22 de junho. Gravemente ferido, o presidente da Inguchétia deixou nesta semana o hospital moscovita onde convalescia. O vice-presidente da Suprema Corte da Inguchétia não sobreviveu ao ataque do qual foi vítima no início de junho.

Por fim, no Daguestão, república multi-étnica cercada pelas montanhas chechenas e o mar Cáspio, o assassinato do ministro do Interior, em 5 de junho, veio para lembrar que os atentados e as emboscadas são quase diárias na república. Diante do caos que prevalece, Dmitri Medvedev foi obrigado a reconhecer, no fim de julho, que a situação era "muito, muito difícil" no Cáucaso. O presidente russo exigiu que "se aumentasse a eficácia das medidas tomadas" pela polícia. Os atentados dos últimos dias mostram o caminho ainda a ser percorrido.

Tradução: Lana Lim

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