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14/08/2009

Romênia é obrigada a fazer empréstimos para pagar seus funcionários

Le Monde
Mirel Bran
Em Bucareste (Romênia)
Diante do ministério do Interior, centenas de policiais romenos protestaram, na terça-feira (11), contra as restrições orçamentárias que colocam seu trabalho em risco. "O ministério virou as costas para nós, então faremos o mesmo", exclama um oficial que prefere permanecer anônimo. "Estou cansado de gastar 20% do meu salário de 250 euros (R$ 650) por mês para comprar o que falta no escritório: papel, canetas, mouse e teclados de computador. Muitas vezes preciso usar meu celular pessoal. Só temos direito a 15 litros de gasolina por mês. Talvez tenham se esquecido de que uma viatura de polícia deve fazer patrulhas!" A raiva dos policiais é proporcional à crise que atinge o serviço público romeno.

Presa no turbilhão da crise econômica, a Romênia está com dificuldades para sair dela. O governo tomou medidas drásticas para conter as despesas. Assim, os funcionários públicos deverão tirar dez dias de férias sem salário entre setembro e novembro. "Essa medida resultará em uma economia de cerca de 360 milhões de euros (R$ 936 milhões), ou seja, uma redução do déficit equivalente a 3% do produto interno bruto (PIB)", segundo o ministro das Finanças, Gheorghe Pogea.

Na segunda-feira, a Romênia se comprometeu junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a reduzir em 1 bilhão de euros (R$ 2,6 bilhões) os gastos públicos em 2009 e mais 3 bilhões em 2010. Cerca de 150 mil funcionários de um total de 1,4 milhão deverão deixar seus postos para aliviar a pressão exercida sobre o dinheiro público.

Falta de medicamentos
A Romênia encontra-se em um impasse que a obriga a fazer empréstimos de dinheiro para pagar salários e aposentadorias. Na segunda-feira, Bucareste obteve a aprovação do FMI para destinar ao pagamento de salários do setor público uma parte do empréstimo de 20 bilhões de euros (R$ 52 bilhões) feito em março junto à instituição, à União Europeia (UE) e ao Banco Mundial. A política incoerente do governo de coalizão entre os democratas-liberais do presidente Traian Basescu e os socialistas conduziu ao fracasso.

Antes da eleição presidencial que deve acontecer no fim do ano, os dois parceiros passam mais tempo brigando do que governando. Após as negociações de adesão à UE, iniciadas em 2000, a Romênia teve um crescimento econômico de 8% em 2008. Mas este ano, o recuo do PIB deverá atingir pelo menos 8,5%, levado o país a uma grave recessão.

As pressões impostas pelo FMI para sanear as finanças públicas foram mal administradas pelo governo, que improvisou soluções de consequências catastróficas. Os médicos denunciam uma falta de medicamentos e a maior parte dos hospitais não tem mais condições de garantir os cuidados básicos. Os fundos cedidos para a luta contra o câncer, a Aids, a hepatite e a diabete se esgotaram no fim de julho. "O governo está brincando com fogo", afirma Cezar Irimia, presidente da Associação dos Pacientes de Doenças Crônicas. A situação é muito grave. Nós temos 2 mil doentes crônicos cuja sobrevivência depende dos medicamentos. Como vamos explicar aos pacientes de câncer que eles estão em uma lista de espera sem nenhuma visibilidade?" As receitas prescritas a eles não são mais reembolsadas.

Nesse contexto, os romenos ficam ainda mais chocados com os excessos de alguns políticos, em um país onde a corrupção institucionalizada é a regra. O prefeito de Bucareste, Sorin Oprescu, que pretende se candidatar à Presidência, se prepara para gastar 700 mil euros (R$ 1,82 milhão) para revestir de ouro cerca de vinte relógios da capital.

Tradução: Lana Lim

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