UOL Notícias Internacional
 

15/08/2009

China se expõe aos riscos de uma bolha imobiliária

Le Monde
John Foley
Está se formando no mercado imobiliário chinês uma bolha que certamente vai inflar mais antes de estourar. Ela não é muito visível nas estatísticas oficiais, pois a interpretação das evoluções de um ano para outro é confundida pelas iniciativas intempestivas e massivas do Estado para acalmar as coisas ou, pelo contrário, estimular o setor.

O que parece certo é que as condições favoráveis às bolhas estão reunidas: os capitais estão disponíveis em quantidade e os comportamentos, tanto dos vendedores quanto dos compradores, estão irracionais. A evolução recente do mercado é sintomática: os últimos números oficiais indicam que entre junho e julho o valor do metro quadrado à venda subiu 7% em um mês. Os preços aumentaram em 63 das 70 grandes cidades, incluindo Cantão e Shenzhen, onde a atividade concentra-se, para muitos, nas exportações.
  • Reuters

Preços muito elevados
Em relação às referências internacionais, os preços chineses são muito elevados. Se quiserem adquirir uma propriedade, os habitantes deverão dedicar três meses de salário à compra de um metro quadrado, segundo as estatísticas oficiais. No Reino Unido, um país onde imóveis não são exatamente baratos, basta 1,1 mês de salário.

Dois fatores empurram os preços para cima. Primeiro, é fácil fazer empréstimos para adquirir moradia. Os candidatos à aquisição de propriedade podem obter uma dedução de 30% sobre a taxa básica referencial de juros, que por sua vez foi abaixada por cinco vezes. Segundo o Citigroup, a parte do orçamento doméstico dedicada ao pagamento de empréstimos imobiliários diminuiu 29%, mas ela representa 34% da renda, o que é bem superior aos 20% registrados pelas estatísticas do Reino Unido. O segundo fator está ligado às previsões negativas das pessoas. Elas temem que a inflação, alimentada pela novíssima abundância de crédito, afete o valor de suas poupanças. O setor imobiliário aparece como um investimento seguro.

A lógica psicológica das construtoras só agrava as coisas. Normalmente, elas venderiam moradias prontas para colher os fundos necessários para a aquisição de novos terrenos. Mas, quando os capitais estão disponíveis com facilidade, elas têm menos pressa para vender.

As maiores delas, muitas vezes controladas pelo Estado, se servem de todos os meios, mobilizando seus lucros e as possibilidades oferecidas tanto pelo empréstimo quanto pela Bolsa para comprar terrenos a preços recordes. Elas são chamadas de "rainhas do mercado de terrenos". Com as reservas de moradias prontas no menor nível, os vendedores poderiam agora limitar suas ofertas, para fazer os preços subirem.

Essa configuração favorável para os proprietários desaparecerá quando os bancos decidirem frear o crédito. Vendedores e compradores sofrerão o prejuízo. Os compradores verão reduzido drasticamente seu orçamento imobiliário. As construtoras enfrentarão a queda dos preços e deverão vender mais moradias para levantar capital rapidamente.

É o cenário que deveremos ver em breve, uma vez que as construtoras estão finalizando vários programas especulativos. Uma vez estourada a bolha, Pequim terá dificuldades para conter o maremoto.

Tradução: Lana Lim

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