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19/08/2009

A Liga Norte ataca os símbolos da unidade italiana

Le Monde
Philippe Ridet Em Roma (Itália)
Para a Liga Norte, partido populista e xenófobo aliado de Silvio Berlusconi, o mês de agosto não é baixa temporada na política. E Umberto Bossi, seu presidente, faz de tudo para atrair a atenção da mídia. Na segunda-feira (17), o ministro da Reforma descontou no hino nacional italiano, no qual ele vê o símbolo da preeminência de Roma, alegando que "ninguém conhecia" a letra.

Esse hino, Fratelli d'Italia, costuma ser atacado pelos simpatizantes da Liga que preferem o Va Pensiero extraído do "Nabucco", de Verdi. Em 2008, mais ou menos na mesma época, Bossi foi mais direto ao mostrar o dedo médio no momento em que o texto atribuído ao poeta Goffredo Mameli (1847) mencionava a Itália, "escrava de Roma".

Essa ofensiva de agosto também visa a língua italiana e sua bandeira. Bossi diz que o estudo dos "dialetos regionais" deveria ser obrigatório nas escolas. Ele também declarou querer apresentar uma proposta de lei que permita acrescentar, em manifestações oficiais, bandeiras regionais ao estandarte tricolor. Um outro peso-pesado da Liga, o ministro da Agricultura Luca Zaia, exigiu que a RAI, a rede de televisão pública, produza mais "ficções regionais".

Se antes era abertamente autonomista, hoje a Liga Norte milita por uma concepção federalista da Itália na qual o Norte, rico e poderoso, abandonaria o Sul a seu subdesenvolvimento endêmico. A chamada reforma do "federalismo fiscal" (as regiões não poderiam gastar mais do que ganham) é uma etapa para esse caminho.

A Liga também quer apresentar, no retorno do recesso parlamentar, um projeto ainda mais radical. Roberto Calderoli, ministro da Simplificação, mencionou a ideia de "salários diferenciados" de acordo com as regiões, em virtude do fato de que o custo de vida no Sul da Itália seria menor do que no Norte.

Para passar adiante essa mensagem, acusada de "separatista" pela oposição e boa parte da direita e do centro, vale tudo para questionar a unidade da Itália através de seus símbolos (o hino, a bandeira, a língua), para atacar o princípio da solidariedade nacional, como se o fosso entre o Norte e o Sul fosse uma realidade à qual seria melhor se acomodar do que eliminar. Ainda problemática, a unidade italiana comemorará seus 150 anos em 2011.

Política de segurança

"Devemos considerar as declarações de Bossi como mensagens de amor a seus eleitores", quis minimizar Berlusconi. Segundo o jornal "Corriere della Sera", ele teria entretanto confessado sua preocupação: "Para ganhar 0,2% na Lombardia, Bossi está disposto a perder 2% de toda a maioria". A análise é correta, mas estaria o presidente do Conselho em condições de frustrar os intentos de seu aliado, que dobrou seu desempenho nas eleições europeias de junho e que cresce nas pesquisas, especialmente no eleitorado popular?

Um partido em crescimento

OrigemNascida em 1991 da fusão da
Liga Lombarda e da Liga Vêneta, dirigida por Umberto Bossi desde sua criação, agora é o mais
antigo partido político italiano
IntegrantesCom a força de 60 deputados,
30 senadores, 4 ministros e 8 secretários de Estado, ela conseguiu mais de 8% dos votos nas eleições gerais de abril de 2008. Em junho de 2009, nas eleições europeias, ela obteve mais de 10% dos votos (com picos de mais de 30% em algumas cidades), enviado nove deputados
a Estrasburgo. Desde as eleições locais, ela dirige 13 províncias
ObjetivosA Liga Norte pretende se tornar
o principal partido na Lombardia
e no Vêneto nas eleições
regionais de 2011


O primeiro ano de seu terceiro mandato de presidente do Conselho foi marcado por diversas concessões à Liga. Sua marca é encontrada no endurecimento da política de segurança, através da criação das "patrulhas de cidadãos" e da criminalização da imigração clandestina.

Acima de tudo, ela soube impor a agenda política. Ao se antecipar, em pleno mês de agosto, com os temas do debate do retorno parlamentar, a Liga chama a atenção. "O hino não nos interessa", explicou Bossi. "O que conta para nós são os salários territoriais".

A crescente influência da Liga provoca um mal-estar entre os membros do Partido da Liberdade (PDL, direita), presidido por Berlusconi. "Nós devemos ser a força-motriz da coalizão", insiste o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, um dos coordenadores do PDL. O perigo para esse partido originado da fusão da Forza Italia com a Aliança Nacional reside na Lombardia e no Vêneto, onde com essas palavras de ordem quase separatistas a Liga espera se tornar o principal partido nas eleições de 2011.

Tradução: Lana Lim

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