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21/08/2009

No Japão, partido no poder encontra-se em dificuldades antes das eleições parlamentares

Le Monde
Philippe Pons
Em Tóquio (Japão)
A campanha para as eleições parlamentares de domingo (30) começou com frases grandiloquentes: "Chegou a hora de os japoneses escreverem sua história", lançou Yukio Hatoyama, presidente do Partido Democrata do Japão (oposição, PDJ), que vai muito bem, ao passo que o primeiro-ministro Taro Aso alertava contra uma derrota do Partido Liberal Democrata (PLD), em declínio, "o único a poder proteger a nação e seus níveis de vida".

Essas eleições prometem ser realmente "históricas": pela primeira vez desde 1995, o PLD, no poder de forma praticamente contínua (exceto nove meses em 1993-1994), corre o risco de perder não somente a maioria absoluta que detém atualmente na Câmara Baixa (302 das 480 cadeiras), mas também sua posição de partido dominante.

Se seus eleitores votarem como fizeram nas últimas eleições locais, o Partido Liberal Democrata vai cair. As pesquisas confirmam essa possibilidade. A única incógnita é a extensão da derrota, que determinará a dimensão do realinhamento das forças políticas.

Japão deixa para trás a recessão

Recuperação econômica
Cerca de doze partidos estão na disputa, mas a batalha se dá entre dois grandes partidos, o PLD e o PDJ. A mudança parece ser a expectativa do momento. E o PLD não é mais o portador dessa mensagem. Ele "perdeu a vantagem": a impopularidade de Taro Aso - suas gafes e suas frases infelizes - é um epifenômeno que agravou o sintoma. Entretanto os eleitores não têm uma "alternativa fértil", segundo a expressão do cientista político Jiro Yamaguchi.

Opor um partido de centro-esquerda (PDJ) a um de centro-direita (PLD) não é uma interpretação da situação política, pois figuram elementos dos dois lados em ambos os partidos. Estes não divergem mais sobre as questões fundamentais, (constituição, garantia de segurança) e elas têm em grande parte a mesma base eleitoral. O PDJ, que oscila entre as opções liberais e conservadoras, é um alvo móvel para o PLD, que o acusa facilmente de ser "irresponsável".

Na política externa, o PDJ é o mais hesitante. Após ter preconizado um maior equilíbrio nas relações estratégicas com os Estados Unidos (em outros termos, uma lealdade menor do Japão), ele evoluiu para o centro em nome do "realismo". A política externa está, entretanto, longe de ser a preocupação principal do eleitor. Em compensação, o emprego, a previdência social e a proteção das condições de vida o são.

O voto que pode mudar o Japão

  • Candidato de 27 anos da cidade portuária de Yokozuka tenta uma vaga no parlamento do país. No passado, o jovem não teria chance alguma. Mas com os japoneses cada vez mais descontentes com o partido do governo, ele ganha espaço na disputa

Enquanto o PLD enfatiza a recuperação econômica, o PDJ defende uma redistribuição da renda nacional. O primeiro é favorável a uma reforma fiscal que inclui um aumento do IVA (imposto sobre valor agregado). O segundo descarta essa opção, afirmando ser possível financiar os gastos sociais colocando um fim ao desperdício do dinheiro público, que beneficia os lobbies. No poder, será que ele provará ter força e coesão suficientes para impor sua "liderança política" à burocracia? questiona o jornal "Asahi" (centro-esquerda).

Para além das plataformas, o elemento fundamental na escolha dos eleitores parece, por enquanto, ser a confiança em um partido ou outro de controlar uma preocupação latente. São muitas as categorias sociais descontentes: os agricultores, os trabalhadores temporários - entre os quais muitos jovens -, os mais velhos, que sofrem de carência de previdência social. "Os serviços sociais não correspondem mais às expectativas da população, e a nação se preocupa... Ela votará no partido que ela acredita que poderá garantir um relativo bem-estar e impedir a herança negativa da desregulamentação", prossegue Jiro Yamaguchi.

Tradução: Lana Lim

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